A universidade em oposição ao presidente: produção de ciência e informações contra o Coronavírus

LUCAS PAZ DOS SANTOS[1]

Esse texto analisa o modo como as universidades públicas brasileiras reagiram para combater aos efeitos da pandemia da Covid-19 no país. A pesquisa analisou as posições e projetos desenvolvidos pelas universidades UFRJ, UNIRIO, UFMG, UFPE, UFPA, UFRGS, USP, UNB, UFSC, entre os dias 10 de março de 2020 e 11 de abril de 2020, compreendendo assim um mês de vigência da pandemia. Nossa hipótese é que as universidades agiram em uma dupla frente: por um lado, no campo da disseminação das informações sobre a doença versus as Fake News bolsonarista; por outro lado, no direcionamento da pesquisa para solucionar problemas concretos do combate a Covid-19. Em nossa visão, a universidade pública sairá fortalecida desta crise.

O contexto em que se dá a ação universitária é complexo e desfavorável para estas instituições. O bolsonarismo tem parte da sua estrutura baseada no constante sucateamento dos órgãos públicos a fim de confirmar de forma prática a ineficácia que seu discurso falacioso propaga. Dessa forma, não apenas por mostrar-se uma das maiores oposições políticas, mas principalmente por manifestar o extremo oposto na construção discursiva, isto é, por serem bastante eficientes, as universidades públicas são os órgãos que têm recebido maiores ataques.

Apesar do processo constante de sucateamento, as universidades públicas têm manifestado diferentes movimentos em direção contrária ao presidente da república Jair Bolsonaro no contexto da pandemia, não só em políticas de contenção, mas principalmente em seu discurso; a busca e aproximação da verdade em contraposição ao discurso falacioso. A partir desse contexto, veículos de comunicação de massa, bem como a própria comunicação das universidades públicas reafirmam a importância acadêmica não só em questionamentos e formulações teóricas, como também em atuações práticas nos mais diversos âmbitos do combate nacional à pandemia, de forma que suas atuações sejam armas poderosas contra o delírio coletivo e a desigualdade.

O combate ao Covid-19 não é apenas, dessa maneira, uma atuação ao presente e sim ao futuro da própria universidade pública; quão maior for o buraco econômico com causas anteriores à pandemia, mas agravado por ela, maiores serão os ataques partidos do governo federal.

Embora seja evidente que as ações universitárias sejam direcionadas a todos, é igualmente verdade que parte considerável das ações práticas e reflexões teóricas da academia têm um objetivo muito claro, ajudar dentro de suas restrições financeiras os mais desfavorecidos que são os maiores afetados pelo Covid-19.

Ação de difusão de informações científicas contra as Fake News

Com o objetivo de reafirmar sua oposição aos discursos falaciosos – propagados pelo próprio presidente da república – e seu comprometimento com a informação e com a ciência, as universidades públicas criaram plataformas específicas para informar a respeito do Covid-19.

É o caso da UFRJ que no dia 06 de Abril divulgou em seu portal de notícias que seu site  criado no dia 13 de março especificamente a fim de informar a respeito do Covid-19 teve 100 mil acessos. Além das notícias diárias divulgadas, vale ressaltar a parte verdade ou mentira que informa com precisão a respeito de uma série de duvidas e, porque não, Fake News que são espalhadas por indivíduos que vão desde um parente qualquer até mesmo ao presidente da república .

É o caso da hidroxicloroquina que, após a afirmação arbitrária e assertiva de Jair Bolsonaro sobre sua eficácia contra o Covid-19, causou instabilidade ao imaginário social. A UFRJ, entretanto, divulgou no site citado que os estudos, apesar de serem promissores, ainda são inconclusivos; assim, não há recomendação ao uso do fármaco no tratamento do Covid-19 por hora. Além disso, o site se compromete em falar a respeito da forma de propagação do vírus, do problema do álcool em gel caseiro, do Ibuprofeno, entre outros.

O comprometimento com a informação não é, todavia, exclusividade da UFRJ. O projeto de extensão “Direito vivo” da faculdade de direito da UFMG criou o site “Plantão especial” para reunir informações e tirar dúvidas em plantão pela internet sobre auxílio emergencial .

Ainda na mesma universidade, estudantes na área da medicina e enfermagem vão informar por telefone e internet sobre o Covid-19. O programa contará inicialmente com 50 de cada área, mas em menos de 24 horas 200 outros estudantes demonstraram interesse em aderir .

Além dos citados, uma das universidades mais importantes do nordeste, a UFPE, tem como destaque o “Covid-19 em Xeque”, iniciativa do PPGCOM (programa de pós-graduação em comunicação) que, junto com a Rádio Universitária Paulo Freire 820 AM, da Rádio Universitária FM 99.9 e do observatório de mídia (OBMídia) da UFPE,  produzem conteúdos referentes ao Covid-19. O conteúdo conta com a disposição de podcasts semanais de artigos e relatórios, produção de interprogramas que contém análises e orientações em torno das informações que cercam o imaginário social a respeito de todas as questões da pandemia; os conteúdos disponíveis estão organizados em uma seção da Rádio Universitária Paulo Freire .

Outra iniciativa que merece destaque foi impulsionada pelo Centro de Competência em Software Livre da UFPA com o projeto Observatório de Dados: Covid-19, que informa diariamente através de gráficos, tabelas e mapas os dados da pandemia provenientes das secretarias estaduais da saúde. As informações dizem respeito a todos os estados, dos casos confirmados e de vítimas fatais, o que clarifica visualmente o desenvolvimento do Covid-19 e os perigos que cada localidade oferece .

Paralelamente a isso, Álvaro Ramos, professor do Departamento de Matemática Pura e Aplicada da UFRGS, publica através de seus estudos acadêmicos uma série de vídeos no YouTube que divulgam projeções da eficácia do isolamento social em Porto Alegre e adianta que, em conjunto com o Instituto de Matemática e Estatística da mesma universidade, trabalha para modelar o processo e ter estimativas mais precisas a longo prazo . Os dois casos, portanto, informam de forma visual e estatística a importância da reclusão social como arma capaz de conter a propagação do Covid-19, de forma que manifeste oposição à vontade do presidente da república em flexibilizar o confinamento em detrimento da economia a fim de evitar uma crise futura que já se mostra evidente e presente.

A pesquisa contra a desigualdade sanitária

Parte considerável de pesquisas na universidade e das mobilizações da comunidade universitária estão e vinculadas às ações de contenção ao vírus em si, através de inovações tecnológicas, mobilizações econômicas e de infraestrutura. Assim, o recrutamento de voluntários, a disponibilidade de espaços, bem como as pesquisas para a confecção, aprimoramento e ofertas de novos EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) auxilia a contenção ligada diretamente ao tratamento dos casos que já estão ou venham a ocorrer. É o caso dos pesquisadores de universidades como USP, UnB, UFRJ e UFRGS que empenham-se à pesquisa e possível oferta de novos EPI’s para a comunidade da saúde que trata os casos de Covid-19.

O projeto Respire, coordenado pelo centro de inovação da USP (InovaUSP) estima produzir cerca de 1 milhão de máscaras para 8 mil profissionais em hospitais, por meio de costureiras mobilizadas pela empresa Tecido Social. As pesquisas indicam eficiência de filtragem de 60% a 97%. A ideia é que os estudos avencem para que se possa ter uma eficácia satisfatória nas confecções de máscaras de pano de algodão, pois dessa maneira a produção poderia ser mais barata e em maior escala; seria uma alternativa às pessoas que precisam sair por motivos indispensáveis, como ir ao mercado .

Ainda no mesmo seguimento, a UFRJ em parceria com a UNIRIO e a PUC-Rio, disponibiliza protótipos de protetores faciais que protegem toda a extensão do rosto (Face Shields) não descartáveis e para uso hospitalar .

À vista disso, desde o dia 16 de março a UnB realiza um projeto em associação com costureiras voluntárias que visa oferecer 1500 máscaras cirúrgicas semanalmente para os profissionais da saúde do Hospital Universitário de Brasília (HUB) ; a mesma universidade articula um projeto de pesquisa no qual as luvas e máscaras fabricadas em laboratórios possam destruir o Covid-19 quando utilizadas em conjunto com um líquido detergente igualmente fabricado. A ideia é que o liquido possa ser produzido em casa e depositado em um recipiente de spray, a fim de facilitar a disposição do produto. O idealizador do projeto, Floriano Pastore, coordenador da Divisão de Química Tecnológica, afirma que ao depositar o componente líquido, o Covid-19 é atraído e automaticamente destruído, pois apensar de ser um vírus mortal, é igualmente frágil. A expectativa é que a “receita” possa ser divulgada em até três semanas.

Embora todas essas pesquisas sejam de valia inestimável, as atenções estão mais voltadas aos ventiladores pulmonares, uma vez que a produção em massa desses pode interferir diretamente na quantidade de vítimas do Covid-19, além de diminuir consideravelmente a desigualdade sanitária devido à oferta mais abundante de um equipamento caro e preponderante para a vida daqueles que precisam. Em vista disso, os pesquisadores do Programa de Engenharia Biomédica (PEB) do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe/UFRJ) estão em processo de desenvolver os ventiladores pulmonares de forma barata, simples e rápida, de forma que possa ser produzido e distribuído em massa. No dia 27 de março – dia da divulgação da informação no site da UFRJ –, a estimativa é que nas próximas semanas o Brasil precisaria de pelo menos vinte mil ventiladores pulmonares mecânicos; a produção atual era em torno de dois mil por mês, o que reforça a importância das pesquisas em cima dos ventiladores, visto que a distribuição precária nos leitos seria evidente; embora ainda esteja em fase de testes, o bom desempenho dos ventiladores indica a possibilidade de êxito em um futuro próximo .

A partir disso, a Agência UFPB de Inovação Tecnológica (INOVA-UFPB), por meio de seu diretor presidente Pr. Dr. Petrônio Figueiras de Athayde Filho, fez demanda para que no dia 28 de março para que pesquisas – por pesquisadores do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN) e do Centro de Informática (CI) – fossem desenvolvidas a fim de acelerar a produção dos ventiladores pulmonares, bem diminuir seu custo. A pesquisa, entretanto, foi concluída no período de 48 horas, de forma que no dia 30 de março as imagens do protótipo já estavam disponíveis nas redes sociais. No dia 01 de abril o pedido de patente foi finalizado e no dia 02 foi protocolado no INPI. O custo é ainda menor que os produzidos pela USP, passando de R$ 1 mil para R$ 400,00; diferença ainda maior se comparada ao custo original de 15 mil reais. Além do equipamento ser de rápida montagem, de forma que possa ser operado em aproximadamente 60 segundos, pode também ser usado indefinidamente, isto é, pode substituir os aparelhos convencionais comercializados atualmente por justamente não ser um respirador de emergência. Por fim, a equipe de pesquisadores e servidores da UFPB é responsável pela patente, mas não pela fabricação que deverá ser feita por empresas com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) e o aparelho ainda precisa passar por testes pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). A expectativa é que os testes possam ser realizados o mais rápido possível tento em vista o contexto atual.

Por conseguinte, em tempos de crise sanitária, a desigualdade social fica ainda mais acentuada devido às assimetrias ao acesso à saúde. A partir disso, se por um lado o investimento em pesquisa tecnológica e de infraestrutura faz com que a rede de tratamentos e contenção possa aumentar, diminuindo a desigualdade social sanitária; é possível perceber também que, por outro lado, o investimento em pesquisa para o combate direto ao Covid-19, isto é, a articulação para uma possível cura, melhorias aos tratamentos ou para acelerar o processo de testes, fazem com que toda a estrutura de oferta sanitária por parte dos sistemas públicos fique mais dinâmico e possa tratar de mais pessoas.

É o caso da dos pesquisadores do Laboratório de Engenharia de Cultivos Celulares (Lecc), da Coppe/UFRJ, sob a coordenação da professora Leda Castilho do Laboratório de Virologia Molecular (LVM), do Instituto de Biologia (IB/UFRJ), que vêm trabalhando em um novo teste para detectar anticorpos em pessoas com suspeita de Covid-19. A nova forma oferece menor custo – cerca de quatro vezes menor –, e ainda maior agilidade no processo, além da possibilidade de reprodução em larga escala.

Outro caso é o do Centro de Biotecnologia da UFRGS (CBiot) que, ao formar uma rede de colaboradores com o Instituto de Ciências Básicas da Saúde (ICBS/UFRGS) e as empresas Amplicon e QuatroG, utilizam insumos produzidos localmente com o fim de  montar o teste molecular RT-PCR, utilizado para detecção do Covid-19. A expectativa é de que esta possa vir a ser uma opção necessária, tendo vista o aumento progressivo de casos .

Além desses, um caso de pesquisa de direcionamento direto ao combate do Covid-19, através da busca pela cura, tem importante linha para pesquisadores da UFMG; possivelmente o principal dentre eles seja o estudo a respeito da possibilidade de eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina com relação à prevenção do Covid-19. O projeto contempla 660 pessoas, dentre médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e técnicos de quatro unidades de Belo Horizonte: Hospital das Clínicas (HC) da UFMG, o Hospital Eduardo de Menezes, vinculado à Fhemig, e os hospitais municipais Odilon Behrens e Metropolitano Célio de Castro.

Inicialmente, o objetivo visa assegurar os profissionais de saúde que lidam diretamente com os pacientes com o intuito de preservar a assistência contínua oferecida, que fica em risco com o aumento da transmissão entre pacientes e profissionais da saúde, bem como entre os profissionais. O professor da Faculdade de Medicina Unaí Tupinambás afirma que a cloroquina – fármaco historicamente utilizado como agente profilático, bem como no combate à Malária – tem eficácia comprovada no bloqueio da infecção in vitro de células pelo Covid-19, na redução da carga viral de pacientes e no tratamento de pneumonia. Segundo o pesquisador, a proposta da utilização – em caso de comprovação de eficácia – da cloroquina mostra-se interessante, pois a produção em massa seria de baixo custo. Por fim declara conhecer os efeitos colaterais para os cardíacos e diabéticos, de forma que a cautela durante os estudos venha a ser fundamental.

A universidade frente aos ataques do governo federal

Embora seja verdade que as universidades públicas resistam ao desempenhar um papel importante na luta contra o Covid-19, tais manifestações não são isentas de esforços devido aos constantes ataques sofridos pelo governo federal. Um exemplo que pode elucidar a tensão existente do governo federal para com as universidades é a nota oficial da UFRJ que manifesta repúdio ao ato da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), por meio da portaria n° 34 do dia 18 de março, que altera a distribuição das bolsas dos programas de pós-graduação.

Na UFRJ, as perdas de bolsas para os programas de pós-graduação atendidos pelo Programa de Demanda Social (DS) chegarão a 242, de forma que venha a atingir 20,8%, número que ultrapassa o limite proposto anteriormente pelas portarias 20 e 21 da CAPES de 10%. Nos programas de pós-graduação contemplados pelo Programa de Excelência Acadêmica (Proex) a expectativa é de que 96 bolsas serão cortadas.

Manifestaram repúdio, além da UFRJ, universidades como a UFF , UnB , UFPE , USP , UFSC , entre outras universidades públicas espalhadas pelo território nacional, bem como diversas entidades, tais quais a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), a Associação Nacional de Pós-Graduandos (ANPG), e o Ministério Público Federal que, no dia 27 de março, recomendou que a CAPES que suspendesse ou revogasse os efeitos da portaria de N° 34 .

A partir disso, embora as universidades venham a agir com verdadeira eficácia contra o Covid-19, os cortes que se perduram desde o inicio do governo de Jair Bolsonaro diminuem gravemente as possibilidades acadêmicas dentro desse contexto, apesar das mesmas obterem auxílio de diversos tipos através de campanhas para doações devido ao contexto de exceção em que a população brasileira se encontra.

Além disso, embora medidas do Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações tenham destinado 50 milhões a iniciativas emergenciais de pesquisadores que possam ser vinculadas a instituições científicas, tecnológicas ou de inovação tanto públicas quanto privadas, o incentivo a pesquisa apenas em momentos de exceção em detrimento de cortes fixos às pesquisas acadêmicas de universidades públicas – que representam a maciça maioria – evidenciam um governo que tem em suas diretrizes políticas a (des)organização do presente em detrimento do futuro .

Por fim, apesar do investimento da CAPES de 200 milhões – que serão divididos pelos próximos quatro anos – para projetos que lidam direta ou indiretamente com o Covid-19 seja de fato interessante, é de se pensar que as medidas de investimento na educação precisam ser equilibradas e não exatamente reativas frente ao fator, que embora seja central na vida atual do brasileiro, não é a única.

Além disso, o equilibro nos investimentos indica que não se pode tirar de um lado da educação apenas para a aparecer em manchetes conotando preocupação com a educação. É fato que a maior parte do mundo sofre com relação ao Covid-19, mas é igualmente verdade que um país caminha ao norte com investimentos em diferentes setores da educação; as inovações – como foi possível ver – podem vir de diversos setores e, além disso, a arbitrariedade com relação ao que pesquisar, partindo do governo federal, é um indício de centralização, ou seja, quando se tira verba dos programas gerais de pós-graduação e se investe uma quantidade específica de dinheiro para um tipo de pesquisa específica. Portanto, Além do saldo ser claramente negativo, visto que muito mais irá se perder do que ganhar dentro desse contexto, esse tipo de investimento somado ao corte geral mostra-se como articulação centralizadora no andamento do ensino superior público em suas pesquisas.

Conclusão

Na luta contra o Covid-19, apesar das constantes investidas do governo federal, através principalmente do presidente da república Jair Bolsonaro e de seu ministro da educação Abraham Weintraub, as universidades protagonizam um verdadeiro auxílio prismático nas problemáticas decorrentes à pandemia. A partir de suas manifestações, o acesso à saúde torna-se menos desigual e o delírio coletivo é diminuído pela disseminação da informação de qualidade.

Apesar disso, a luta travada entre o setor de ensino superior público e o governo não deve parar. Não é possível arriscar prognósticos certeiros nesse momento, mas o modus operandi do governo indica que o discurso a respeito das universidades será a fim de possibilitar um esvaziamento cada vez maior da importância do setor de ensino superior no imaginário da população para que, dessa maneira, possa entrar em um processo de sucateamento e, assim, reafirmar sua incapacidade. Através disso, soluções como a EaD em detrimento dos espaços públicos, bem como privatizações progressivas podem ser articuladas. Entretanto, a popularidade bolsonarista, bem como a universitária, devem seguir caminhos opostos após o Covid-19, de forma que o primeiro muito provavelmente venha a perder não apenas apelo populacional, como também aliados políticos, ao passo que o caminho da segunda indica um cenário animador devido a uma possível “reconciliação” entre população e universidade.


[1] Lucas Paz dos Santos é graduando em ciências sociais da UFRJ no quarto período e pesquisador do NUDEB.

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