As eleições nas capitais da Região Centro-Oeste

Por Josué Medeiros

O presente boletim tem como objetivo mapear as eleições municipais de 2020 nas capitais da Região Centro-Oeste: Campo Grande –MS; Cuiabá – MT; Goiânia – GO, buscando analisar como os campos políticos da esquerda e da direita se organizam para o pleito.

Para isso, primeiro faremos um histórico das eleições municipais passadas, de 2008 até 2016, mostrando a diminuição do espaço da esquerda e também do processo eleitoral de 2018, com a emergência do bolsonarismo. Em seguida, apresentaremos de modo sucinto o quadro eleitoral do presente pleito, ainda marcado por uma enorme indefinição.

As fontes usadas para essa pesquisa foram os sites da Wikipedia e Datapedia, além de portais de notícias como El País e Folha de São Paulo.

Histórico eleitoral da Região Centro-Oeste 

Do ponto de vista dos campos políticos, a região Centro-Oeste sempre apresentou os piores números para o campo progressista, junto com a Região Sul. Nas eleições presidenciais de 2002, Lula venceu em todas as regiões do Brasil.[1] Já em 2006, na reeleição, ele foi derrotado no Sul e Centro-Oeste por Geraldo Alckmin, do PSDB. Desde então, a oposição de direita venceu nos Estados da região em 2010 e 2014, o mesmo ocorrendo em 2018 com Bolsonaro.[2]

Nas eleições para governador nos três Estados, o quadro é similar: a esquerda jamais governou Goiás e governou apenas uma vez o Mato Grosso, com Dante de Oliveira pelo PDT entre 1995 e 1998 (político que antes fora do PMDB e que depois foi para o PSDB) e uma vez o Mato Grosso do Sul com Zeca do PT entre 1999 e 2006.

 A força do agronegócio é costuma ser a variável explicativa para esse contínuo voto anti-esquerda na região. 

Histórico eleitoral da Região Centro-Oeste 

Entre as eleições de 2008 e 2012, no auge do lulismo, é possível perceber que a esquerda ganha espaço em Goiânia e Cuiabá, só mantendo seu histórico ruim em Campo Grande. Em 2016, contudo, na esteira do golpe de 2016, o cenário histórico de domínio da direita se refez.

Em Goiânia, capital com histórico positivo do PT antes mesmo do lulismo, que , governou a cidade entre 1993 e 1996 e entre 2001 e 2004, o partido elege o vice-prefeito em 2008 (em aliança com o PMDB) e o prefeito em 2012, governando até 2016, quando então a direita volta. A tabela abaixo faz um histórico do pleito na cidade

Eleições Goiânia – 2008/2012/2016

Cidade/PartidoEleitoDerrotado
2008PMDB – 74%PP – 15,75%
2012PT – 57,7%PTB – 14,2%
2016PMDB – 57,7%PSB – 42,3,%

Em Cuiabá, o quadro histórico de domínio da direita foi interrompido em 2012, quando dois candidatos de partidos de esquerda disputaram o segundo turno, com vitória do PSB sobre o PT. Em 2016, contudo, a situação anterior de hegemonia da direita retornou, confirme mostra a tabela abaixo.

Eleições Cuiabá– 2008/2012/2016

Cidade/PartidoEleitoDerrotado
2008PSDB – 60,5%PR – 39,5%
2012PSB – 54,6,5%PT – 45,4%
2016PMDB – 60,4%PSDB – 15,75%

Já em Campo Grande, a esquerda só ameaçou o domínio direitista em 2008, quando o PT conseguiu um segundo lugar no pleito. O histórico de sucessivas administrações de direita na capital não foi interrompido nem mesmo no auge do lulismo, conforme mostra a tabela abaixo.

Eleições Campo Grande – 2008/2012/2016

Cidade/PartidoEleitoDerrotado
2008PMDB – 71,4%PT – 23,2%
2012PP – 62,5%PMDB – 37,5%
2016PSD – 58,7%PSDB – 39,6%

 .

Uma vez feito esse histórico, passamos então para análise das eleições de 2020, para a qual é necessário inserir o bolsonarismo como ator político.

As eleições de 2020 e o novo ator bolsonarista

As eleições para governador do Estado na Região Centro-Oeste foram dominadas em 2018 por partidos tradicionais da direita: DEM, com dois governadores eleitos, PSDB com um, além de PR e MDB que chegaram em segundo lugar. A única agremiação que foge desse padrão é o PDT, derrotado no Mato Grosso do Sul. A tabela abaixo sintetiza o quadro

Eleições 2018 – Estados Região Centro-Oeste

Cidade/PartidoEleitoDerrotado
Mato Grosso do SulPSDB – 52,3%PDT – 47,7%
Mato GrossoDEM – 58,7%PR – 19,5%
GoiásDEM – 59,7%MDB – 16,1%

Contudo, o então candidato Jair Bolsonaro venceu de forma avassaladora na região, com 66,5% dos votos, seu segundo melhor resultado, atrás apenas da Região Sul. Nessa toada, todos os governadores eleitos na região pegaram carona no Bolsonarismo para consolidar suas vitórias.

Em 2020, contudo, o bolsonarismo se apresenta como uma força política desorganizada, fruto da ruptura de presidente Jair Bolsonaro com o seu partido, PSL e também da tentativa frustrada de criação do Aliança Pelo Brasil, futuro partido bolsonarista. Nesse cenário, o bolsonarismo está sem candidato em Campo Grande, pois o deputado estadual Capitão Contar saiu do PSL e esta sem partido. Em Goiânia, o deputado Major Araújo do PSL tentará herdar esses votos, o mesmo ocorrendo com Paulo Henrique Grando do Partido Novo em Cuiabá.

Assim, não será possível, nesse pleito, medir a sobreposição de votos da direita tradicional e do bolsonarismo, em um quadro de absoluto favoritismo para as candidaturas a reeleição, todas elas de partidos tradicionais da direita.

Em Goiânia, o atual prefeito, Iris Resende, tem 86 anos, cogita não concorrer. O governador Ronaldo Caiado, do DEM, vai apoiá-lo e pode lançar candidato caso ele não concorra. Em Campo grande, o atual prefeito, Marcos Trad, do PSD, deve contar como o apoio do governo do Estado, que é do PSDB. Somente em Cuiabá o governador não apoiará a reeleição do atual prefeito, Emanuel Pinheiro, do MDB, que já conta com o apoio de outros 8 partidos.

Em todas as cidades o cenário da esquerda é de fragmentação: em Goiânia, PT, PDT, PSB, PV, REDE, PSOL e UP tem pré-candidaturas. O PT leva vantagem pelo histórico da cidade e tem Adriana Accorsi, deputada estadual, como nome. Em Campo Grande PT, PDT, PSOL, PC do b, PV tem candidatos. Já em Cuiabá há uma polarização entre PT e PDT.

Conclusão

O quadro eleitoral na Região Centro-Oeste em 2020 tende a repetir 2016, quando os partidos de direita saíram vitoriosos dos pleitos. Olhando pela superfície das disputas políticas, também repetirá 2018, que teve como resultado o mesmo domínio direitista.

Contudo, conforme argumentamos, em 2018 quem de fato venceu as eleições na região foi o bolsonarismo que, desorganizado e em conflito interno, não se apresentará com força nas eleições municipais deste ano. Isso permitirá que os partidos de direita tradicionais mantenham suas posições ate a eleição presidencial de 2022.

Já a esquerda repete o quadro de 2018 e da maioria das capitais, se apresentando fragmentada nas eleições, o que diminui não só as chances de vitória, como até mesmo de protagonizar a disputa eleitoral contra a direita.


[1]https://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u41692.shtml?origin=folha

[2]https://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/08/politica/1538967626_336129.html

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s