Um panorama das eleições municipais na Região Norte do Brasil

Por Maira Tura

O presente texto analisa as disputas eleitorais para as eleições municipais do ano de 2020 na Região Norte do Brasil, tomando como base o histórico de eleições anteriores. Pesquisamos as seguintes capitais: Belém (PA), Rio Branco (AC), Macapá (AP), Manaus (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e Palmas (TO). Levantamos dados sobre as eleições de 2012, 2016 e 2018 nestas capitais e as pré-candidaturas de 2020 nos portais de O Globo, Exame, Brasil de Fato, Uol, Toda Política, Folha de S. Paulo e O Norte.

A hipótese que trabalhamos no texto é de que as últimas duas eleições municipais e a última eleição para a presidência e governador estão interferindo diretamente nas decisões das pré-candidaturas e alianças para as prefeituras de 2020. O campo de direita vai disputar a maioria das capitais em condições de vencer, enquanto o de esquerda está enfraquecido, só disputando em condições mais favoráveis Belém e Rio Branco. Isso representa uma continuidade de queda, conforme ocorreu com as eleições de 2016 e 2018.

Buscamos trabalhar esta hipótese analisando as eleições anteriores e o panorama atual. Primeiramente, identificamos o histórico das eleições municipais de 2012, 2016 e a eleição presidencial e de governadores de 2018. Depois, os campos políticos e as pré-candidaturas para as eleições de 2020.

Retrospectiva das eleições municipais 2012 e 2016 e presidência de 2018

Nas eleições de 2012, das 7 capitas analisadas tivemos a eleição de três prefeitos de direita, um de centro direita e quatro de esquerda.  Aquelas eleições foram o auge da força política do “Lulismo”: partidos e lideranças que sustentavam o governo Lula e Dilma, quando venceram em cinco capitais e em outras duas estiveram no segundo turno. Inclusive os dois candidatos do PSOL (partido de esquerda que jamais foi da base lulista) Clécio Luís em Macapá e Edmilson Rodrigues em Belém, disputaram a eleição sem ser oposição ao PT, mas não saíram vitoriosos. Já a oposição de direita venceu duas capitais, ambas com o PSDB (principal opositor do PT).

Eleições 2012 – Capitais Região Norte[1]

Cidade/PartidoEleitoDerrotado
BelémPSDB – 56,6%PSOL – 43,4%
Boa VistaPMDB – 39%PRB – 29%
MacapáPSOL – 50,6PDT – 49,4%
ManausPSDB – 66%PC do B – 34%
PalmasPP – 49,6%PV – 43,2%
Porto VelhoPSB – 63%PV – 37%
Rio BrancoPT – 50,77%PSDB – 49,23%

Já em 2016 o quadro mudou. Desde a eleição de 2014 em que Dilma saiu vitoriosa em uma disputa acirrada contra Aécio Neves percebemos um enfraquecimento do lulismo que resultou no golpe da primeira mulher presidente do Brasil. Com o golpe de Dilma, no dia 31 de agosto, por 61 votos a 20. Dilma perdeu seu mandato sob a acusação de ter cometido crime de responsabilidade fiscal, conforme arranjo político dos setores conservadores no Congresso Nacional e no Judiciário. Em decorrência disso, em 2016, nas mesmas 7 capitais analisadas, tivemos a eleição de dois prefeitos de centro direita, um de esquerda e quatro de direita. Nesse momento, houveram quatro confrontos entre tendências opostas (esquerda x direita) e três confrontos entre a própria direita.

Eleições 2016 – Capitais Região Norte[2]

Cidade/Partidos            Eleito        Derrotado
Belém  PSDB- 53,33%   PSOL- 47,67%
Boa Vista PMDB- 79,39%        PP- 9,42%
Macapá REDE- 60,50%   PMDB-39,50%
Manaus  PSDB- 55,96%       PR- 44,05%
Palmas    PSD- 52,38%       PR- 31,43%
Porto Velho  PSDB- 65,15%      PTB- 34.85%
Rio Branco     PT-54,38%   PMDB- 32,02%

A processo de fortalecimento dos partidos de direita na região Norte culminou, em 2018, com uma vitória completa de Bolsonaro em todas capitais, até mesmo em Belém, que é a capital do Pará. Embora o atual presidente tenha sido derrotado por Haddad em nível estadual. O Pará foi o único estado da Região Norte em que se verificou essa situação.[3] Em 2018, as eleições dos governadores nos estados da Região Norte seguiram a mesma lógica, com apenas um governador de esquerda eleito, o que se deu pelos seguintes resultados:

Eleições 2018 – Estados Região Norte[4]

Estados           Eleito   Derrotado
AcrePP- 53,71%PT- 34,54%
AmapáPDT- 33,55%PSB- 30,10%
AmazonasPSC- 33,73%PDT- 32,74%
RondôniaPSDB- 31,59%PSL- 23,99%
RoraimaPSL- 42,27%PSDB- 38,78%
TocantinsPHS- 53,39%PSB- 31,19%
ParáMDB- 47,69%DEM- 30,21%

Eleições municipais 2020

As eleições municipais de 2020 têm uma realidade diferente do que vimos anteriormente, pois estamos vivendo a pandemia do novo coronavírus e o Brasil já ultrapassou 100 mil óbitos.[5] Se adequando a essa nova realidade, as eleições foram adiadas, o calendário inicial previa o primeiro turno em 4 de outubro, e o segundo, em 25 de outubro. A Proposta de Emenda Constitucional (PEC), aprovada pelo Congresso, adiou o primeiro turno para 15 de novembro, e o segundo, para 29 de novembro.[6] Assim, as sete capitais da Região Norte já estão com as pré-candidaturas em campanha.

O quadro atual dessas pré-candidaturas demostra a alta fragmentação, com inúmeros pré-candidatos tanto da esquerda, quanto da direita. A exceção, por enquanto, é Belém, cujo processo até aqui repete a polarização entre PSDB pela direita e PSOL pela esquerda. A tabela abaixo mostra o número de candidatos.

Pré-candidatos 2020 – Capitais da Região Norte

            CidadeQuantidade de candidatos
Belém          12 pré-candidatos
Boa vista           9 pré-candidatos
Macapá          12 pré-candidatos
Manaus          25 pré-candidatos
Palmas           16 pré-candidatos
Porto Velho            9 pré-candidatos
Rio Branco          11 pré-candidatos

Em Belém, os grupos políticos estão divididos entre os aliados do atual prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho (PSDB); os do ex-prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues (PSOL); e o grupo político de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro. Entre os candidatos, tem-se o deputado federal Celso Sabino (PSDB) e Mauro Freitas, presidente da Câmara de vereadores pelo PSDC. Em aliança com o PT, Edmilson Rodrigues tenta a recandidatura.[7] Edmilson Rodrigues e Simão Jatene (PSDB), lideram as intenções de votos na pesquisa espontânea e estimulada. Pelo campo da extrema direita, Eder Mauro (PSD) é o mais rejeitado pelos eleitores de Belém é o representante de Bolsonaro no Pará, que acredita no apoio dos bolsonaristas para alavancar sua candidatura.[8]

Em Manaus, já são 20 pré-candidatos, Amazonino e David Almeida já disputam a preferência do eleitorado da cidade, desde as eleições de 2018, quando disputaram o governo do Amazonas e parecem ser a preferência do eleitorado para 2020. Além deles teremos: o atual deputado federal, José Ricardo pelo PT; o deputado federal Capitão Alberto Neto, que já fez parte da Policia Militar, e vem pelo Republicanos; o ex-deputado federal Marcos Rotta pelo DEM; Ricardo Nicolau, atual deputado estado pelo PSD; o deputado federal Conceição Sampaio pelo PSDB; a jornalista Liliane Araújo pelo PSL; Hissa Abraão parlamentar pelo PDT; o professor Jonas Araújo pelo PSOL; Romero Reis, Major do Exército pelo NOVO, dentre outros. [9]

Em Rio Branco parece que teremos a formação de várias alianças – entre as esquerdas, a centro esquerda e a extrema direita -, porém, até o momento, nada está formalizado. Essa cidade aparece como a única capital do Norte em que a esquerda tem melhor possibilidade de sair vitoriosa. O atual prefeito Marcus Alexandre, deve disputar a reeleição pelo PT tendo como principal concorrente a representante do PP, Vanda Milani; o vereador Raimundo Vaz, que deve competir pelo PR; o partido Democratas deve lançar como candidato Tião Bolacom; o PSOL lançará Valdir França; o PSD lançará Marfisa Galvão; a REDE ainda não possui um nome. Os partidos que não disputarão a eleição com candidato próprio são: PRTB, PSC, PPS, PTC e PV.[10]

Em Macapá, as pré-candidaturas são a do advogado Ruben Bemerguy pela REDE; o deputado estadual, advogado e professor Paulo Lemos pelo PSOL; o suplente do presidente do senado Josiel Alcolumbre pelo DEM; João Capiberibe, que já foi prefeito da cidade, governador por duas vezes consecutivas e senador, entre os anos de 2011 a 2019, pelo PSB; Cirilo Fernandes já foi do PSOL e do PSL e agora tenta a prefeitura pelo PRTB. Outro pré-candidato confirmado na disputa é o ex-Secretário de Segurança Pública do Amapá, Marcos Roberto pelo PT. Ademais, o PC do B e o PDT ainda não lançaram candidatura própria, mas já pensam em seus nomes.[11]

Em Boa Vista, o clima eleitoral já está esquentando. Nove partidos já sinalizaram pré-candidatos. A atual prefeita Teresa Surita (PMDB) é candidata à reeleição. Também estão no páreo para o cargo Alex Ladislau (PRP), Aline Rezende (PRTB), Roberto Ramos (PT), Jeferson Alves (PDT) e Mozarildo Cavalcanti (PTB).[12]

Em Porto Velho, até o momento, são 9 pré-candidatos e a estimativa das pesquisas realizadas é de que pelo menos seis sejam bem votados. O atual prefeito Hildon Chaves (PSDB) é um nome forte entre os candidatos e pode conquistar o segundo mandato. Além dele, estão na lista o advogado Vinícius Miguel (Cidadania), candidato mais bem votado a governador em Porto Velho nas eleições de 2018; Hermínio Coelho (PV); o PV também deve lançar o empresário Jaime Gazola; o deputado federal Léo Moraes (Podemos); e Leonel Bertolin, com expectativa de ser indicado pelo PTB.[13]

Em Palmas, o que chama a atenção é o excesso de interessados em tomar a cadeira da prefeita Cinthia Ribeiro (PSDB). O mais provável é que ocorra a eleição de um partido de centro direita ou extrema direita. Nesse quadro, o PSL aparece com a menor rejeição. Estão na disputa: Osires Damaso (PSC); Eli Borges (SD); Marcelo Lelis (PV); Júnior Geo (Pros); Tiago Andrino (PSB); Vanda Monteiro (PSL); Ataides Oliveira (Progressistas); Alan Barbiero (Podemos); Gil Barison (Republicanos), Raul Filho (MDB); Milton Neris (PDT); Vicentinho Júnior (PL); João Helder Vilela (PT); Germana Pires (PCdoB); João Bazzoli (PSOL); e Joaquim Rocha (PMB).[14]

Conclusão

Analisando o histórico das últimas duas eleições municipais na Região Norte, podemos observar uma mudança na correlação de forças dos campos políticos. A esquerda perdeu força e espaço de 2012 para 2016 enquanto a direita avançou. Há um novo quadro que apresenta uma tendência crescente para uma política mais conservadora e isso se concretizou nas eleições presidenciais de 2018, posto que, em todas as capitais da Região Norte, Bolsonaro saiu vitorioso e, em muitas das capitais, as porcentagens de votos do atual presidente foram superiores à do restante do estado. A eleição dos governadores em 2018 seguiu a mesma lógica e só se elegeu um governador de esquerda.

Para as eleições municipais de 2020, as pré-candidaturas para vereador e prefeito estão a todo vapor nas sete capitais. Ocorre, no entanto, que muitas das pré-candidaturas devem diminuir por conta de coligações até a data das confirmações dos candidatos. Na maioria das capitais, temos candidatos por cinco frentes: apoiadores de Bolsonaro (extrema direta); esquerda petista; outras esquerdas; direita liberal; e centro direita. Podendo haver coligações entre frentes que querem vencer frentes opostas. Faltando apenas 3 meses para as eleições, tudo parece ainda meio incerto, mas já há candidatos fortes nas disputas.

No próximo boletim pretendemos detalhar melhor o quadro nas capitais.


[1] http://eleicoes.terra.com.br/apuracao-resultado/

[2] https://www.todapolitica.com/eleicoes-2016/

 em Niterói/São Gonçalo e MaricDireitos Humanos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

cente fluxo migratório. ul-[3]https://www1.folha.uol.com.br/poder/eleicoes/2018/veja-o-mapa-de-apuracao-de-todas-as-cidades-do brasil/#/cargo/presidente/local/brasil/turno/2/mapa/pais/municipio/brasilia/5300108

[4] https://placar.eleicoes.uol.com.br/2018/1turno/governador-por-estado/

[5]https://noticias.uol.com.br/saude/ultimas-noticias/redacao/2020/08/08/brasil-chega-a-100-mil-mortos-por-covid-19.htm

[6] https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2020/noticia/2020/07/02/eleicoes-2020-datas-do-calendario-eleitoral.ghtml

[7]https://jornalonorte.com.br/conheca-os-pre-candidatos-a-prefeitura-de-belem-do-para-nas-eleicoes-2020/

[8]https://www.romanews.com.br/cidade/pesquisa-aponta-o-cenario-de-pre-candidaturas-em-belem-e-quais-nomes/86359/

[9]https://jornalonorte.com.br/manaus-apresenta-19-pre-candidatos-a-prefeitura-nas-eleicoes-2020/

[10] https://jornalonorte.com.br/rio-branco-no-acre-possui-pelo-menos-11-pre-candidatos-a-prefeitura-nas-eleicoes-2020/

[11]https://jornalonorte.com.br/eleicoes-2020-conheca-os-principais-pre-candidatos-a-prefeitura-de-macapa/

[12]https://jornalonorte.com.br/conheca-os-seis-pre-candidatos-a-prefeitura-de-boa-vista-nas-eleicoes-2020/

[13]https://jornalonorte.com.br/eleicoes-2020-porto-velho-ja-tem-9-pre-candidatos-ao-cargo-de-prefeito/

[14]https://clebertoledo.com.br/politica/tempo-real-palmas-tem-16-pre-candidatos-querendo-o-lugar-de-cinthia-ribeiro/

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