EDITORIAL: Os conflitos da democracia brasileira no pós-pandemia

Por Josué Medeiros e Pedro Lima

Foto: Alan Santos/PR

No segundo semestre 2020 o NUDEB publicará dos boletins por mês. Um deles será Boletim Eleições, no qual apresentaremos o monitoramento do pleito municipal deste ano. Confira o editorial da primeira edição em https://nudebufrj.com/2020/08/18/as-eleicoes-municipais-de-2020-e-a-politica-brasileira/

O outro será o Boletim Democracia, que apresentamos agora, com os seguintes textos: uma análise geral da política brasileira (1); as redes sociais do presidente Bolsonaro (2), as dinâmicas entre os poderes executivo, legislativo e judiciário (3), o papel da mídia (4), o impacto das eleições dos EUA em nosso país (5) e os movimentos sociais (6).

Trata-se do acompanhamento dos conflitos mais permanentes da política brasileira.  Depois de quatro meses pesquisando a pandemia da Cobid-19 e os conflitos que ela provocou nos atores sociais e nas instituições, nós do NUDEB pretendemos acompanhar a continuidade daquelas disputas, bem como suas consequências e é para isso que este boletim existe.

A pandemia continua ceifando vidas no Brasil – já atingimos a marca de 130 mil e é tratada pelo mandatário com a mesma irresponsabilidade de quando conhecemos os primeiros mortos em março.

Do ponto de vista dos conflitos, contudo, já podemos falar em uma política brasileira pós-pandemia: não há mais tensão entre Bolsonaro e os governadores; não há mais mobilização da grande mídia com relação aos mortos; não há mais ação do legislativo e do judiciário contra o executivo, salvo exceções importantes, tais como a questão indígena, porém isoladas.

Sem essa tensão, nossa hipótese é que o bloco de poder que deu o golpe de 2016 se reunificou em torno da agenda econômica neoliberal. Há em curso uma ofensiva em prol das “reformas estruturais” que passa por uma suposta domesticação de Jair Bolsonaro. Este, em troca, ganharia as condições tanto para fazer seu programa de transferência de renda permanente quanto de trégua no judiciário nos casos de corrupção seu e dos filhos e das fakenews.

Os processos de resistência a essa dinâmica estão visivelmente fragilizados: os movimentos sociais não conseguem mobilizar, os partidos da oposição da esquerda não conseguem articular frentes de resistência às pautas que retiram direitos.

Há, por fim, o impacto da dinâmica internacional, com a expectativa das eleições para presidente dos Estados Unidos em dezembro de 2020. Ainda é cedo para avaliar, mas seguimos com a hipótese que uma derrota do Trump lá impactará o Bolsonaro aqui.

Seguiremos acompanhando essas dinâmicas em nossos boletins. Boa leitura e que a resistência se fortaleça.

Sumário

A política brasileira pós-pandemia: ofensiva neoliberal e expectativa com os EUA por Josué Medeiros

Análise das redes sociais de Bolsonaro: até onde vai sua postura pacifista? por Nathalia Harcar

O Pacto dos Poderes com Bolsonaro por Nivea Baltar

Os posicionamentos da mídia brasileira: alinhamentos e incongruências com o Governo Bolsonaro por Isabela Neves

Ações e impasses dos movimentos sociais no pós pandemia por Cello Latini

Os Estados Unidos vão às urnas: Análise do cenário eleitoral norte-americano por Julia Paresque

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