As Eleições Municipais na Região Centro Oeste

por Gabriela Hafner

 O presente texto tem por objetivo acompanhar as eleições municipais de 2020 que ocorrerão nas capitais da Região Centro-Oeste: Campo Grande –MS; Cuiabá – MT; Goiânia – GO, apresentando seus respectivos candidatos e analisando suas relações com os diferentes campos políticos, além é claro, de suas possíveis conformidades com a onda bolsonarista.

Nossa hipótese é a de que em mais um ano eleitoral a esquerda se mostrará dividida e sem muitas alianças, o que levará a pequenos resultados nas urnas, enquanto a direita se apresentará consistente e organizada, se valendo em grande parte de uma adesão bolsonarista garantindo assim, a maioria dos votos.

Algumas das fontes usadas para essa pesquisa foram os sites Wikipedia, portais nacionais de notícias tais como Estadão Mato Grosso, G1, Isso é Notícia, Rd News, Diário MS News e Correio do Estado.

Assim como em todo o Brasil, as eleições nas capitais do Centro-Oeste foram afetadas pela pandemia da COVID-19. Além dos novos prazos (eleições previstas para os dias 15 e 29 de novembro e o prazo para definição dos candidatos foi de 31 de agosto a 16 de setembro) há o problema de fazer encontros presencial e de como pedir votos, se apenas virtualmente ou não.

O quadro eleitoral em Campo Grande

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul o atual chefe do Executivo, Marcos Trad, filiado ao PSD se junta a mais 15 candidatos na disputa. Sua avaliação positiva cresceu com a pandemia[1] e, por isso ele é favorito.

Diante disso, ele afirma, depois de receber algumas críticas, que “não é perfeito”, por isso tenta melhorar, mas “que só vê ataques pessoais e não propostas”. Vale lembrar que Trad é primo de Luiz Henrique Mandetta, ex ministro da saúde no governo Bolsonaro e que rompeu com o presidente por defender as recomendações da OMS.

Já o Partido Social Liberal (PSL), reconheceu a candidatura do empresário e atual deputado federal, Loester Trutis, que ao se auto declarar em seu perfil nas redes sociais como conservador, pró armas, anticomunista e carnívoro provavelmente pegará o voto bolsonarista.[2]

É importante destacar que um dia antes das convenções o partido retirou das disputas o vereador Vinicius Siqueira com a desculpa de uma falta de potencial eleitoral. Fora das disputas Vinicius afirmou não concorrer a nenhum outro cargo pelo partido.

Ainda no campo da direita, outras candidaturas são:  Solidariedade, com Marcelo Miglioli, ex secretário de estado e Infraestrutura que concorreu em 2018 pelo PSDB ao senado. PL e PP lançam respectivamente João Henrique Catan e Esacheu Nascimento, ex presidente da Santa Casa. E Partido Novo e Partido Verde lançam, por sua vez o empresário Guto Scarpanti e o atual presidente estadual do diretório do PV, Marcelo Bluma ao cargo. O Avante e o Podemos oficializaram respectivamente a candidatura de Sergio Harfouche, advogado e procurador de justiça e Sidnéia Tobias. Pelo PSC e MDB teremos respectivamente Paulo Matos, ex secretário municipal de governo na gestão de Gilmar Olarte e Marcio Fernandes empresário, médico veterinário e membro da Assembleia Legislativa do Estado.

Já na esquerda, pelo PDT, o atual deputado federal de 65 anos, Dagoberto Nogueira, assim como fez em 2004, se lança novamente para concorrer à vaga de prefeito.

Pedro Kemp, que exerce seu quinto mandato consecutivo como deputado estadual, será o candidato do PT ao cargo. O então deputado afirma ser um desafio para o partido este novo estilo de fazer campanha, isso porque, o PT sempre apostou em um estilo de política “corpo a corpo”, mas declarou que ainda sim está motivado.

O PSOL lança a única chapa feminina com a psicóloga Cris Duarte como candidata e líder indígena, Val Eloy como vice. O Partido da Causa Operária lançou Thiago Assad. PCdoB e o PSB não lançaram candidato e apoiarão o atual prefeito, Marcos Trad em sua reeleição.

Definidas as candidaturas em Cuiabá

Já em Cuiabá, Moto Grosso, o atual prefeito Emanuel Pinheiro que esteve recentemente envolvido no tal “escândalo do paletó” se lança à reeleição pelo MDB, numa coligação com mais 11 partidos incluindo o PCdoB e o PSD. Ele vem sendo bem avaliado pela população[3] e sua visibilidade cresceu com a pandemia[4], o que o torna favorito. 

Pelo PSL, Aécio Rodrigues, atual presidente do diretório estadual do partido, é escolhido para concorrer ao cargo, com uma proposta de defesa do governo Bolsonaro.[5]

 Ainda no espectro da direita, o Patriotas e Partido Novo lançam respectivamente o ex prefeito de Cuiabá, Roberto França aos 71 anos e Paulo Henrique Grando. Gisela Simona se junta ao PROS para concorrer ao cargo, tendo como seu vice o maestro Fabricio Carvalho do PDT e por fim, temos o vereador Abilio Junior lançado pelo PODEMOS.

Já no campo da esquerda, o PT  lançou o ex juiz federal Julier Sebastião sem coligações, o que possivelmente levará ao seu enfraquecimento e a uma queda nas suas chances. Pelo PSOL, que assim como PT aposta em concorrer ao cargo sem fazer coligações, teremos Gilberto Lopes Filho, membro do diretório estadual do partido.

A disputa pela prefeitura de Goiânia

Em Goiânia, Goiás o atual prefeito Iris Rezende aos 86 anos, afirma que não concorrerá à reeleição, pois pretende se aposentar logo após o fim de seu mandato. Seu partido, MDB, lançou Maguito Vilela, ex-governador de Goiás. Já o governador Ronaldo Caiado apoiará o senador Vanderlan Cardoso do PSD, rachando o bloco de poder estadual.

O PSL oficializou o nome do policial militar Júnio Alves Araújo, mais conhecido como Major Araújo, que exerce atualmente seu terceiro mandato como deputado estadual e que buscará ocupar o espaço do bolsonarismo.

Ainda pela direita, o PROS, anunciou o nome de Samuel Almeida, ex assessor do atual prefeito Iris Rezende, para o cargo. Enquanto pelos tucanos (PSDB) Talles Barreto, atual deputado estadual é o requerido. Os demais candidatos ao cargo são Cristina Lopes (PL), Virmondes Cruvinel (Cidadania), Alysson Lima (Solidariedade) e Gustavo Gayer, professor e empresário pelo DC.

Assim como vimos nas outras capitais o campo da esquerda se apresenta dividido. Pelo PT foi escolhida Adriana Accorsi, atual deputada estadual. Pelo Partido Unidade Popular teremos o estudante Fábio Antônio de Oliveira Junior, e pelo PSOL a professora Manu Jacob. Já o PSB lançou para disputar o cargo Elias Vaz, e como vice o empresário Genival Naves de Oliveira, primeiro vice presidente do PDT em Goiânia.

Por fim o PV e o PCB lançam respectivamente o advogado Cristiano Cunha e o professor Antonio Vieira.

Intenções de voto e adesão bolsonarista

Um levantamento realizado pela consultoria Quaest revela que prefeitos de diferentes cidades do Brasil tiveram o aumento ou a diminuição de seus índices de popularidade relacionados com as medidas de restrição de isolamento tomadas entre os meses de fevereiro e julho.

O índice leva em conta a interação das pessoas nas redes e mídias sociais e tem um modelo estatístico próprio, que pondera e calcula a importância de cada dimensão, e os personagens analisados são colocados em uma escala de 0 a 100.

Dessa forma, a Quaest constatou que prefeitos que no início da pandemia tomaram medidas mais restritivas aumentaram a sua popularidade nas redes.

Marcos Trad, por exemplo, ficou entre os primeiros lugares do ranking de melhora na imagem com variação positiva entre 40% e 60%.

É importante lembrar que na ocasião Trad foi contra a decisão do então presidente Jair Bolsonaro seguindo então as orientações de isolamento do ex ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta.

Tais fatores podem, inicialmente, nos revelar uma vantagem do atual prefeito na competição eleitoral, contudo sem deixar de lado o fator bolsonarista que ainda assola as decisões.

A presença nas competições do então candidato filiado ao PSL, Loester Trutis, por exemplo, pode tornar essa vitória um pouco mais difícil do que o esperado. Conhecido por sua popularidade midiática e polemica Trutis pode se valer de sua vertente conservadora e bolsonarista para angariar votos.

 Já em Cuiabá MT, assim como em Campo Grande, o atual prefeito Emanuel Pinheiro filiado ao MDB possui grande vantagem à reeleição segundo pesquisas realizadas pelo Instituto Analisando.

A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 24 de agosto, onde 1.199 pessoas foram entrevistas em 98 bairros da capital. A margem de erro é de 3% para mais ou para menos.

Com 38,1%, Pinheiro encontra-se a frente do ex prefeito Roberto França que está com 14%, logo depois vem Abilio Junior com 9,2% e em quarto Gisela Simona com 6,3%.

Em convenção realizada na noite desta terça feira (15), Roberto França filiado ao Podemos diz que o possível apoio do atual presidente Jair Bolsonaro será o carro chefe de sua campanha se chegar ao segundo turno. Vale lembrar que ainda temos a presença de Aécio Rodrigues, filiado ao PSL nas competições, que também apresenta vertentes de apoio ao setor bolsonarista.

Tais fatores podem revelar que possivelmente a disputa pelo cargo seja ainda mais acirrada.

Em Goiânia, o senador Vanderlan Cardoso, filiado ao PSD e com apoio do governador, lidera com 17% a disputa seguida de Maguito Vilela do MDB com 15% e que conta com apoio do atual prefeito Iris Rezende.

A pesquisa foi realizada pelo Instituto Real Time Big Data, que ouviu 850 entrevistados entre os dias 8 e 10 de setembro. Sua margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

Vale ressaltar que nesse cenário apresentado pelo instituto, apesar de Vilela possuir um percentual de intenção de 15% o índice de rejeição se revela maior ainda com 22%, seguido de Vanderlan Cardoso com 14%.

Em uma entrevista à Sagres 730, Cardoso demonstrou apoiar as decisões do atual presidente Jair Bolsonaro e afirmou que apesar do mesmo ter sido radical com o Centrão no passado, agora que está dialogando, é criticado.

Nesse cenário, temos também o policial militar Alves Araújo que vem pelo PSL e pode disputar uma cadeira no campo bolsonarista.

Conclusão

Dessa maneira, o que vemos é novamente uma possível repetição do que foram as eleições de 2016 – para ver o histórico eleitoral acesse o link (https://nudebufrj.com/2020/08/18/as-eleicoes-nas-capitais-da-regiao-centro-oeste/ ), onde partidos de centro-direita permanecem sendo eleitos, se favorecendo de momentos políticos como a era bolsonarista e reforçando ainda mais sua preeminência política, enquanto a esquerda reafirma seu distanciamento indireto ao encontrar-se completamente dividida e a margem das disputas e competições políticas.


[1] https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/08/prefeitos-de-capitais-com-quarentena-rigida-ganharam-menos-popularidade.shtml

[2] https://www.midiamax.com.br/politica/2020/defensor-de-bolsonaro-deputado-do-psl-posta-agradecimento-a-moro

[3] https://www.unicanews.com.br/politica-mt/gestao-de-emanuel-pinheiro-tem-73-de-aprovacao-em-pesquisa/54286

[4] https://www.olhardireto.com.br/noticias/exibir.asp?id=475413&noticia=coluna-do-o-globo-aponta-emanuel-pinheiro-como-7-prefeito-com-mais-popularidade-na-pandemia&edicao=1

[5] https://www.rdnews.com.br/eleicoes-2020/psl-lanca-advogado-a-prefeito-de-cuiaba-com-discurso-de-ser-o-novo-na-politica/133742

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