As eleições municipais na Região Nordeste

Por Isabela Neves, Isabel Uchoa e Renata Santiago

O presente texto pretende analisar o quadro eleitoral das nove capitais da região Nordeste (Maceió, Salvador, Fortaleza, São Luís do Maranhão, João Pessoa, Recife, Teresina, Natal e Aracaju). Para isso, faremos uma breve recuperação do histórico eleitoral na região e em seguida vamos mapear a forma como cada candidato se apresenta estrategicamente alinhado aos campos políticos da esquerda e da direita, com suas subdivisões (direita liberal, direita bolsonarista, esquerda petista e esquerda não petista).

No boletim de agosto recuperamos que o Nordeste foi a única região em que o atual presidente Jair Bolsonaro não venceu Fernando Haddad no 2o turno. O petista registrou 69,7% dos votos válidos, contabilizando 20,3 milhões de votos, contra 8,8 milhões de Bolsonaro[1]. Entretanto, em Natal, João Pessoa e Maceió foi Bolsonaro quem obteve êxito[2] já 1o turno, ficando em segundo lugar nas demais capitais, com exceção do Fortaleza, onde ficou em terceiro.

Percebemos ainda que o bolsonarismo foi relativamente fraco na região. Observa-se um grande número de governadores de esquerda eleitos (PT, PSB, PC do B) e mesmo os de partidos de direita portam-se como opositores de Bolsonaro, como é o caso de Renan Filho, de Alagoas e do MDB e Belivaldo Chagas Silva, de Sergipe e do PSD.

Por outro lado, vimos também que a aprovação do presidente na Região vinha crescendo, questão que vamos explorar no texto. Isso se soma ao histórico eleitoral, em que constatamos que a esquerda encontra-se enfraquecida também na região. Em uma retomada ao perfil eleitoral que a região possuía nos anos 90, a esfera progressista tem perdido lugar nas eleições municipais, cedendo espaço às candidaturas de direita e centro-direita.

Com isto, nossa hipótese é que parte da direita liberal busca convergir seus movimentos com os do bolsonarismo, aproveitando que este está desorganizado desde que o presidente saiu do PSL e apostando no aumento da sua popularidade. Essa convergência se dá ou em alianças com figuras típicas do bolsonarismo ou mobilizando identidades e programas comuns e, por fim, com a defesa do governo Bolsonaro.

Já a esquerda, por sua vez, aparece fragmentada, dando continuidade às divisões políticas anteriores ao bolsonarismo, tais como as disputas entre PSB e PT em algumas capitais, ou entre PT e PDT em outras.

As fontes que usamos foram os portais de notícias nacionais tais como Folha de São Paulo, G1, O Globo, Isto é, Terra Brasil de Fato, El País, jornais locais (Meio Norte, Diário do Nordeste entre outros), além dos institutos de pesquisa tais como o Datafolha, Amostragem, Emet e Data O Dia. A pesquisa se encerrou em 16 de setembro, último dia para que os partidos realizassem suas convenções.

Um breve histórico eleitoral

A Região Nordeste consolidou-se como um território onde a esquerda em geral e o PT em particular tem forte influência. No entanto, ao traçar um histórico das eleições presidenciais de 1994 e 1998, é possível perceber que o voto na região era dominado pelo PSDB, ocorrendo uma ruptura em 2002. Como mostram os três mapas abaixo, Lula foi derrotado em todos os estados do Nordeste em 1994 e 1998, embora nessa eleição o desempenho da esquerda na região tenha melhorado com a primeira candidatura de Ciro Gomes. Em 2002, contudo, o Lula assume a dianteira para não perder mais.

https://sites.google.com/site/atlaseleicoespresidenciais/1994

Mapa da eleição presidencial de 1998 por estado da federação. Disponível em https://sites.google.com/site/atlaseleicoespresidenciais/1998

Mapa da eleição presidencial de 2002 por município da federação. Disponível em https://sites.google.com/site/atlaseleicoespresidenciais/2002

O predomínio lulista no Nordeste em eleições nacionais é amplamente conhecido pela ciência política e no debate público. Em eleições estaduais, essa dinâmica se verifica com a eleição de governadores de partidos de esquerda: PT, PDT, PSB e PC do B. Isso se confirmou nas eleições de 2018, conforma podemos ver no mapa abaixo

Mapa eleitoral da eleição presidencial de 2018 por estado da federação. Disponível em https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em-numeros/noticia/2018/10/08/eleicoes-2018-o-peso-de-cada-regiao-do-brasil-na-votacao-para-presidente.ghtml

Contudo, o cenário para 2020 parece mais complicado do que esse histórico sugere, conforme argumentaremos na próxima seção.

A ascensão do bolsonarismo no Nordeste: o auxílio emergencial e as obras

Em agosto vimos que, segundo pesquisa do Datafolha divulgada no dia 14, 37% dos entrevistados consideram o governo bom ou ótimo contra 32% em julho[3].

Quando analisamos o recorte regional, é notável a melhora na avaliação de Bolsonaro no Nordeste. Mesmo se tratando da região onde o presidente tem maior reprovação. Sua rejeição caiu para 35% entre os nordestinos, isto é, 17% a menos do que mês passado, quando chegou a 52%. Já sua avaliação positiva ficou 33% dos entrevistados, contra 27% no levantamento anterior, de julho.

A principal explicação para isso na mídia e nos analistas políticos foi o auxílio emergencial de R$ 600,  medida inicialmente contestada pelo presidente e que, segundo PNAD/IBGE, alcançou 58,9% dos lares nordestinos.

Além do auxílio, Bolsonaro tem inaugurado obras na Região Nordeste, tais como o Eixo Norte do projeto de Transposição do Rio São Francisco, que só avançou 1% no atual governo, mas que já tem o nome de Bolsonaro na placa. O presidente tem visitado as obras de transposição, gerando aglomerações. Além disso, o projeto Casa Verde Amarela também visa aumentar sua força no Nordeste[4].

Uma vez feita essa contextualização política, segue agora o mapa das capitais, começando com Salvador e depois subindo no mapa até chegar a São Luiz.

O quadro eleitoral em Salvador

O DEM dirige a prefeitura de Salvador desde 2012, com ACM Neto enquanto o governo do Estado é do PT desde 2006, primeiro com Jaques Vagner e depois com o Rui Costa. Estas serão as principais forças da eleição na capital baiana.

ACM Neto apoia a candidatura do vice prefeito Bruno Reis (DEM), que conseguiu atrair para essa chapa 15 partidos, incluindo agremiações de esquerda que apoiam o governador petista, como é o caso do PDT, que indicou Ana Paula Matos, como vice. A questão é se, caso essa aliança seja vitoriosa em 2020, irá se repetir em 2022 na eleição para o governo Estadual, no qual o atual prefeito de Salvador é pré-candidato.

Bruno Reis lidera as intenções de voto segundo pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, com 34,9%.

Também na direita liberal, temos João Carlos Bacelar Batista, pelo Podemos, que já foi vereador da capital baiana pela primeira vez em 1992, estando filiado na época ao PMDB. Já o Avante lançou o Pastor Sargento Isidório, candidato pela segunda vez. Trata-se de um pastor e sargento que não apoia Bolsonaro.

Na esquerda, o PT também escolheu um quadro com vínculos militares, a Major Denice da PM-BA, especialista em direitos humanas (ela é idealizadora e co-fundadora da Ronda Maria da Penha, patrulha da Polícia Militar). A candidatura de Denice, que terá o PSB na vice, recebeu críticas por ela não possuir um histórico de militância no PT. Ela conta, contudo, com o apoio do governador, que é muito bem avaliado e pode alavancar seu nome. Contudo, especula-se que Costa possa apoiar o Pastor Sargento Isidório, caso ele se viabilize como alternativa ao DEM[5],

O PCdoB lança Olívia Santana, que foi a primeira mulher negra a obter um cargo de deputada estadual na Bahia, ela é pedagoga e foi vereadora de Salvador. Pelo Psol será o candidato estadual Hilton Coelho, que é deputado estadual.

Os candidatos da direita bolsonarista em Salvador são Cezar Leite do PRTB (um dos partidos que apoiou a candidatura de Jair Bolsonaro) e Celsinho Cotrim (PROS), ambos sem muita chance.

A disputa pela prefeitura de Aracajú

Em Aracajú, a prefeitura é comanda por Edvaldo Nogueira, do PDT (eleito, contudo, pelo PCdoB) enquanto que o governo do estado é do PSD, com Belivaldo Chagas, que é da direita liberal mas que teve apoio do PT e não compactua com Bolsonaro. Quase todos esses setores estarão juntos na busca pela reeleição de Edvaldo, que terá na vice uma política do PSD, Katarina Feitosa e que recebeu ainda o apoio de outros partidos, tais como o PV, PP e o MDB.

Somente o PT se deslocou desse bloco com o ex-deputado federal Marcio Macedo, apoiado pela Rede e pelo PROS. A esquerda tem ainda a chapa Cidania-PSB, com a delegada Danielle Garcia que tem o suporte de PL e PSDB. Há ainda uma chapa do PSOL e outra do PSTU.

A direita liberal terá ainda as candidaturas do Avante, que lançou Lúcio Flávio, empresário graduado em Comunicação Social. Ainda, a delegada Georlize Teles será candidata pelo DEM, ela é ex secretária da Segurança Pública e da Cidadania e Defesa Social de Aracaju. Temos também pelo PMB o candidato Juraci Nunes, sendo sua primeira vez concorrendo a um cargo político. Sua vice também é do PMB.

Na direita bolsonarista da cidade, podemos encaixar o candidato Paulo Márcio, filiado ao DC. O ex prefeito, Almeida Lima do PRTB, também pode ser posicionado como na direita bolsonarista, já que, além do partido ter apoiado a candidatura de Jair Bolsonaro, o candidato à prefeitura tem apoio do vice presidente Hamilton Mourão, que é do partido. A direita bolsonarista conta também com Rodrigo Valadares do PTB, que compõe a Frente Conservadora, que conta com o apoio do PMN e PSL.

Em uma pesquisa do Instituto Dataform o atual prefeito lidera com com 23,1%. A delegada Danielle Garcia (Cidadania) aparece logo após, com 21,1%. Emília Correa (Patriota) e Valadares Filho (PSB) possuíam 12,0% e 11,1%, respectivamente, sendo que Valadares Filho virou o vice de Danielle Garcia.

Também foi avaliado, na pesquisa, a influência do lulismo e bolsonarismo nessa capital. Dos que foram perguntados se votariam em um candidatos indicados por Lula 27,8% afirmam que votariam, contra 42% que não votariam. Já sobre o apoio a Bolsonaro, 35,6% votariam num candidato indicado por ele contra 42% que não votariam, o que confirma o crescimento do atual mandatário na região.

As chapas para a prefeitura de Maceió

Em Maceió o atual prefeito Rui Palmeira, foi eleito e reeleito pelo PSDB.  Já Renan Filho, do MDB, governa o Estado desde 2015. Esses polos da direita liberal se uniram em torno da candidatura de Alfredo Gaspar, do MDB, um ex-procurador geral de justiça. Seu vice é do Podemos.

 Além disso, Maceió foi uma das capitais em que Bolsonaro venceu nas eleições de 2018. Disputando esse legado, estarão Davi Davino, do PP, que conta com apoio do DEM, Solidariedade, PSL e Republicanos. Outro candidato nesse campo é o empresário Josan Pereira, do Patriotas, que era do PSL com Bolsonaro em 2018 e surgiu na política na mobilização contra Dilma em 2015.  Há ainda Cícero Almeira, da DC, que é radialista policial e tem o apoio do PTB.

A esquerda apresenta-se com alto nível de fragmentação. O PT lançou Ricardo Barbosa; o PCdoB Cícero Filho; o PSB vai de JHC com o vice Ronaldo Lessa, do PDT; pelo UP virá a jornalista Lenilda Luna; e Valéria Correia pelo PSOL. O ex-prefeito Corintho Campelo, quadro histórico do PDT, saiu do partido para garantir a candidatura no PMN.

Na pesquisa mais recente, de 30 de julho, JHC do PSB liderava com 27%, seguido por Alfredo Gaspar com 16%.[6]

Os candidatos a prefeito de João Pessoa

João Pessoa é dirigida por Luciano Cartaxo, que venceu em 2012 pelo PT e em 2016 pelo PSD e que atualmente está no PV. Já o governo do Estado está na mão de João Azevedo, que é do Cidadania, mas que foi eleito pelo PSB, com quem rompeu.

Cartaxo terá como candidato Edilma Freire, também do PV, em chapa que tem o PDT de vice. Já o governador Azevedo apoiará o candidato Cícero Lucena, do Progressistas, que terá Léo Bezerra, do Cidadania, como candidato a vice-prefeito. A direita liberal tem ainda como candidatos: Nilvan Ferreira do MDB, Raoni Mendes do Democratas e Ruy Carneiro(PSDB).

O campo da esquerda se dividiu. Pelo PSB, o ex-governador Ricardo Coutinho se lançou candidato. O PT municipal primeiro lançou candidato, Anísio Maia, com o Pc do B de vice. Depois, tentou apoiar Coutinho, e o PT nacional fez uma solicitação ao TSE para formalizar a aliança. Em seguida, o PSB nacional rejeitou o apoio e a situação atualmente está em um impasse.[7] A Rede escolheu Carlos Monteiro, o PSOL vai com Pablo Honorato, a UP vai com Rafael Freire, o PSTU com Rama Dantas e o PCO com Camilo Duarte(PCO).

Já pela direita que pode ocupar o campo do bolsonarista identificamos duas candidaturas: João Almeida do Solidariedade, que tem como vice um quadro do PSL (ex-partido de Bolsonaro) e o delegado da Polícia Civil Wallber Virgolino. Embora a esquerda tenha vencido eleições na cidade de 2004 a 2012 e mesmo 2016, que foi vencida pela direita, porém com Cartaxo, quadro histórico da esquerda na cidade, foi uma das apenas três capitais da Região Nordeste onde Jair Bolsonaro venceu as eleições em 2018.

Dessa forma, é possível compreender a estratégia da adesão ao bolsonarismo por parte do partido Solidariedade, que além de criar um elo partidário com o antigo partido do presidente Bolsonaro, se utilizou de frases como “é uma candidatura sem governo, sem prefeitura”, que remetem bastante a postura “desatrelada à corrupção e à velha política” que Bolsonaro busca passar, apesar do partido Solidariedade fazer parte do chamado “centrão”, que está diretamente associado, por muitos, à chamada “velha política”[17]. No mesmo sentido, o partido Patriota também se utiliza da estratégia bolsonarista, dado que Bolsonaro já foi filiado ao partido. Dessa forma, Patriota se coloca como uma opção de voto para bolsonaristas. Não obstante, mesmo o Progressistas, que terá apoio do governador, também se coloca como uma opção para os eleitores de Bolsonaro. É notável, então, a presença de partidos que se utilizam dessa estratégia para disputar as eleições

O cenário eleitoral Recife

O quadro político de Recife é hegemonizado pela esquerda desde os anos 2000, com quatro gestões seguidas do PT e duas em sequência do PSB, com o atual prefeito Geraldo Júlio. No mesmo sentido, o governo Estadual está com o PSB desde 2006, primeiro com Eduardo Campos e depois com Paulo Câmara. Além disso, o PT vence as eleições presidenciais na cidade desde 2002 até 2018.

Nesse cenário, a disputa entre as esquerdas vem ocupando o centro da disputa política. O PSB – que quer manter a gestão com o deputado federal João Campos, filho de Eduardo Campos – e o PT, que lançou Marília Arraes, também deputada federal e neta de Miguel Arraes, maior liderança histórica da esquerda pernambucana. Ela conta com apoio do PSOL, que indicou a vice. No meio dessa disputa, ficou o PDT. O deputado federal Tulio Gadelha aprovou apoio ao PT, mas o partido interviu no diretório municipal e forçou o apoio ao PSB[8] , que tem ainda o apoio do PC do B e outros sete partidos.

Pela direita, há uma convergência quase completa entre a direita liberal e o bolsonarismo. O ex-governador e ex-ministro da Educação Mendonça Filho, do Democratas, se lançou candidato com um slogan “Mendonça é Bolsonaro e Bolsonaro é Mendonça” [9] e também com o nome de sua chapa: “Recife Acima de Tudo”, emulando o slogan de Bolsonaro em 2018.

Á esquerda, apresentam-se ainda outras candidaturas: Cláudia Ribeiro(PSTU), Thiago Santos(UP) e Victor Assis(PCO). Quanto aos candidatos da direita, temos Alberto Feitosa(PSC), Carlos Andrade Lima(PSL), Marco Aurélio(PRTB), todos buscando se aproximas do presidente, além de Charbel Maroun(NOVO) e Patrícia Domingos(Podemos). Esta se apresenta com um discurso de defesa da lava-jato, elogiando a figura do ex-ministro Sério Moro.

A última pesquisa de intenções de voto foi feita em 26 de agosto e mostrou um quadro embolado: João Campos tem 19%, Mendonça Filho 17%, Marília Arraes, 17%, Patricia Domingos 16%.

A configuração política de Natal e do Rio Grande Norte é, na região Nordeste, a que apresenta mais força para a direita. Além da vitória de Bolsonaro na capital já no primeiro turno, Natal tem um histórico de gestões de direita alternadas com mandatários de esquerda: o atual prefeito é Álvaro Dias, do PSDB era vice de Carlos Eduardo Alves, do PDT. Este sucedeu a Ney Lopes Souza, do Dem. Antes dele, veio Paulinho Freire do PDT e Micarla de Souza do PV. O quadro é similar no governo estadual: a atual governadora Fátima Bezerra, do PT. Antes dela, o governador era Robinson Faria, do PSD, eleito em 2014. Em 2010, quem venceu as eleições foi Rosalba Ciarlini, do DEM, que sucedeu Wilma Faria e Iberê dos Santos, ambos do PSB.

Nas eleições de 2020, Álvaro Dias é candidato a reeleição e conseguiu repetir a chapa com o PDT que os levou a vitória em 2016. No campo da direita liberal, há ainda as candidaturas de Afrânio Miranda(Podemos), Fernando Pinto(NOVO), Hélio Oliveira(PRTB), Jaidy Oliver(Democracia Cristã), Kelps Lima(Solidariedade), Sérgio Leocádio(PSL), André Azevedo(PSC).

Pela esquerda, apresentaram como candidatos os seguintes nomes: Carlos Alberto do PV, Coletiva do Sol do PSOL, Fernando de Freitas do PCdoB, Hermano Morais do PSB, Rosália Fernandes do PSTU e Jean-Paul Prates do PT. Este espera alavancar seu nome com apoio da governadora Fátima.

Já na busca pelo voto bolsonarista estão o coronel da Polícia Militar André Azevedo, pelo PSC, Hélio Oliveira pelo PRTB, que atua em movimentos conservadores há 6 anos; a pastora Jaidy Oliver pela DC e, por fim, pelo PSL, Sérgio Leocádio, que tem como vice a delegada aposentada Deusa Martins PP.

Os elos partidários formados em Natal, por sua vez, foram: PV e Cidadania, PSDB e PDT, PRTB e PTB, e PSL e Progressista. É notável, assim, que Natal foi a capital analisada neste texto que possui menos coligações.

Em uma pesquisa realizada pelo Instituto RadarNE em parceria com a Tribuna do Norte indica que Álvaro Dias(PSDB), o atual prefeito de Natal, lidera as intenções de votos, o que ao menos até o momento segue confirmando o pêndulo à direita na cidade.

As eleições municipais em Fortaleza

A política cearense – no Estado e na capital – é historicamente dominada pela família Ferreira Gomes, do presidenciável Ciro Gomes, atualmente no PDT. No plano estatual, o atual governador é do PT, Camilo Santana, que foi eleito em 2014 e reeleito em 2018 com apoio de Ciro e seu irmão, Cid Gomes, que por sua vez foi governador de 2006 a 2014. Já na cidade, o atual prefeito Roberto Cláudio é do mesmo grupo e venceu as eleições em 2012 contra o PT e em 2016 contra o PR. Antes dele, a prefeitura foi dirigida pelo PT, com a deputada federal Luziane Lins.

Histórico eleitoral de 2012 e 2016

Cidade/PartidoEleitoDerrotado
2012PSB –53,02%PT – 46,98%
2016PDT –53,57%PR – 46,43,%

Nesse quadro, a divisão histórica da esquerda se repete: O representante cirista é Sarto Nogueira do PDT, com apoio do PSB e do Cidadania, enquanto a candidata lulista é Luizianne Lins, do PT. O PC do B também apresentou candidato, o professor Anísio. Outros nomes da esquerda são: Célio Studart (PV), Renato Roseno (PSOL), e Paula Colares.

Já pela direita liberal, o principal candidato é Heitor Ferrer, do Solidariedade, com o MDB de vice. Esse campo está enfraquecido na cidade em comparação com a direita bolsonarista, que tem três candidatos: Samuel Braga (PATRIOTA), Heitor Freire (PSL), que apesar da dissonância com o posicionamento do partido, é apoiador do presidente em poder e defende a volta de Bolsonaro ao PSL.

Finalmente, há a candidatura do Capitão Wagner, que concorre pelo PROS, que figura bem nas pesquisas e conseguiu montar uma chapa ampla Podemos, Republicanos, PMN, PMB, PTC, DC, PSC e Avante. É ele que ameaça quadro de disputa entre as esquerdas de Fortaleza, especialmente entre PDT e PT.

As disputas pela prefeitura de Teresina

O quadro eleitoral em Teresina e no Piauí se caracteriza pela hegemonia do PT no Estado de 2003 até agora, com uma gestão do PSB entre 2010 e 2014. Já na prefeitura de Teresina, contudo, há uma hegemonia da direita liberal, com Firmino Filho do PSDB, eleito em 2012 e reeleito em 2016. Seu partido domina a prefeitura desde 1993 com um breve intervalo entre 2010 e 2012.

Histórico das eleições em 2012 e 2016

Cidade/PartidoEleitoDerrotado
2012PSDB – 51,54%PTB – 48,46%
2016PSDB –51,14%PSD – 39,77,%

Nesse contexto, a direita liberal lança Kleber Montezuma do PSDB, apoiado pelo atual prefeito, de quem foi secretário em várias pastas. Ele conta com uma ampla aliança que junta PP na vice, PV, PDT, PODEMOS, DEM, PMB AVANTE e PSL. Além dele, por esse campo, há Dr. Pessoa do MDB com o PSB na vice; Gessy Fonseca do PSC e Simone Pereira do PSD.

Na tentativa de pegar o voto bolsonarista aparecem o Major Diego Melo, do Patriotas; Fábio Abreu, do PL, que tem como vice a pastora Diana Carvalho, do Republicanos (partido dos filhos de Bolsonaro); Fábio Sérvio, do PROS, que estava no PSL com o presidente em 2018 e que provavelmente o acompanhará caso Bolsonaro consiga viabilizar um novo partido.

Por fim, o campo da esquerda não conseguiu manter a unidade que se apresenta na base do governo e estadual e aparece fragmentado: O PT lançou Fábio Novo e tem apoio da REDE; a Cidadania conta com Mario Rogério; o PSOL vai com Lucineide Barros; a UP tem Pedro Laurentino; O PSTU apresenta Gervásio Santos e o PCO concorre com Lourdes Melo.

Eleição municipal de 2020 em São Luís

O quadro eleitoral recente de São Luís e do Maranhão é marcado pela hegemonia do atual governador, Flávio Dino, do PC do B, eleito em 2014 e reeleito em 2018, desbancando a histórica dinastia dos Sarney no Estado. Na cidade, esse mesmo processo se verifica com Edivaldo de Holanda Júnior, antes PTC e atualmente PDT, foi eleito prefeito de São Luís em 2012, sendo reeleito em 2016, sempre com apoio de Dino e de uma ampla coalizão. Sua chapa no primeiro mandato era coligada a PCdoB, PDT e PSB, e no segundo a PDT, PTB, PRB, PSC, PR, DEM, PROS, PCdoB, PTC, PSL, PEN e PT.

Histórico das eleições em 2012 e 2016

Cidade/PartidoEleitoDerrotado
2012PTC – 56,06%PSDB – 43,94%
2016PDT – 53,94%PMN – 46,06,%

Pela direita liberal, Eduardo Braide, derrotado em 2016 pela reeleição de Edivaldo Holanda, retorna como favorito à prefeitura de São Luís. Antes PMN e hoje filiado ao Podemos. Tem apoio de PSDB, PSC, PSD e PMN e tem o recall eleitoral. Outros candidatos são: Neto Evangelista, do DEM e com apoio do PDT, MDB, PTB e PSL; Dr. Madeira, do Solidariedade; e também Adriano Sarney, pelo PV, mantendo a presença da tradicional família maranhense.

Um candidato difícil de mapear no sentido dos campos políticos é Duarte Júnior, ex-deputado estadual pelo PCdoB. Conhecido por forte participação nas redes sociais e crítico declarado ao governo Bolsonaro, tendo participado da campanha pró-Haddad nas eleições de 2018.

O candidato, no entanto, optou por sair do PC do B – sem que isso significasse romper com o governador – e lançar-se candidato pelo Republicanos, partido criado pelo bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, e que tem entre seus membros Carlos Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. Sua candidatura tem coligação com PL, Avante, Patriota e PTB.

Já a esquerda se apresenta fragmentada e sem candidatos que larguem com boas intenções de voto, apesar da força de Dino. Além do PDT na chapa do DEM, o PC do B lançou Rubens Jr, que conta com apoio do PT, PP, Cidadania, PMB e DC; Bira do Pindaré, do PSB; Jeisael Marx da REDE; Franklin Douglas do PSOL e Hertz Dias do PSTU.

A pesquisa mais recente foi feita pelo Ibope entre 12 e 14 de setembro e apresenta o seguinte quadro de intenções de voto: Braide com 43%; Duarte Jr com 14%; Neto Evangelista com 10%; Bira do Pindaré com 5%; Adriano Sarney com 4%; Rubens Jr, Carlos Madeira e Jeisael Marx com 2%.[10]

Conclusão

A partir da análise história eleitoral da Região Nordeste feita no Boletim de Agosto e do mapa dos candidatos aqui apresentados, embora a região seja um polo político das esquerdas, é perceptível a crescente influência de ideias das direitas nas capitais, tanto da direita liberal quanto de uma direita bolsonarista. Apesar de cada capital ter as suas particularidades políticas, é possível identificar a tentativa de alguns candidatos de direita de se utilizarem de mecanismos e estratégias bolsonaristas, sejam estas a ideia de anticorrupção ou de símbolos nacionais, por exemplo.  Com a questão do Auxílio Emergencial e do aumento de popularidade de Bolsonaro em mente, isto se torna ainda mais forte.

Atualmente, o mapa eleitoral das capitais é dividido, com cinco prefeitos de direita (Salvador; Aracajú; Maceió; Natal; Teresina) e quatro de esquerda (João Pessoa; Recife; Fortaleza; São Luís). Ainda é cedo para projetar como ficará o quadro, mas a esquerda só é favorita em duas cidades, Recife e Fortaleza, o que indica uma hipótese de crescimento da direita liberal. Nesse boletim, iniciamos uma análise sobre as pesquisas de intenção de voto nas capitais para que fosse possível fazer uma leitura da conjuntura política na região. Contudo, apenas na próxima edição aprofundaremos essa cartografia de forma a perceber se a hipótese levantada no texto se concretiza.


[1] https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/eleicao-em-numeros/noticia/2018/10/29/haddad-ganha-no-nordeste-e-bolsonaro-nas-demais-regioes-do-pais.ghtml

[2] https://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/eleicoes-2018/bolsonaro-foi-o-mais-votado-em-cinco-capitais-do-nordeste-8p9ytzi7sehxao92ocnawdiqn/

[3]https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/08/aprovacao-a-bolsonaro-sobe-e-e-a-melhor-desde-o-inicio-do-mandato-diz-datafolha.shtml

[4] https://extra.globo.com/noticias/roteiro-de-viagens-de-bolsonaro-guiado-pelo-auxilio-emergencial-24614211.html

[5] https://www.terra.com.br/noticias/eleicoes/governador-do-pt-deve-apoiar-candidato-do-avante-em-salvador,c407279f48bb18a31ab2e76cd5605c5ckltdcbfr.html

[6] http://www.correiodopovo-al.com.br/index.php/noticia/2020/07/30/veja-os-numeros-da-pesquisa-tdl-para-prefeito-de-maceio

[7] https://valor.globo.com/politica/noticia/2020/09/18/psb-nacional-rejeita-apoio-do-pt-em-joao-pessoa-e-descarta-alianca-em-2022.ghtml

[8] https://jc.ne10.uol.com.br/politica/2020/09/11973490-presidente-nacional-do-pdt-rejeita-indicacao-de-tulio-gadelha-para-a-vice-de-joao-campos.html

[9] https://jc.ne10.uol.com.br/politica/2020/09/11974878—mendonca-e-bolsonaro–e-bolsonaro-e-mendonca—-diz-musica-de-alcymar-monteiro-doada-a-campanha-de-mendonca-filho.html

[10] https://g1.globo.com/ma/maranhao/eleicoes/2020/noticia/2020/09/21/pesquisa-ibope-em-sao-luis-braide-43percent-duarte-14percent-neto-10percent-bira-5percent.ghtml

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