O quadro de candidaturas em Niterói, São Gonçalo e Maricá 


Por Bruna Werneck

O presente texto analisa o quadro de candidaturas em Niterói, São Gonçalo e Maricá tendo como marco o fim do período de convenções partidárias, cujo prazo derradeiro foi 16 de setembro (embora mudanças possam ocorrer, tais como a desistência de candidatos ou o indeferimento, por parte da justiça eleitoral, de alguma candidatura).

 O objetivo é apresentar o mapeamento da disputa nessas cidades e, com isso, indicar tendências políticas que serão exploradas nos próximos boletins.

Nas três cidades, vimos a configuração de candidaturas de direita liberal e direita bolsonarista confirmar o que apresentamos no primeiro boletim, de agosto.

Já no que se refere ao campo da esquerda, enquanto, em Niteroi e Maricá o quadro confirmou nossa análise prévia, em São Gonçalo houve um movimento de unidade que não se apresentava em Agosto e que produz uma novidade no processo eleitoral naquela cidade.

As fontes utilizadas para pesquisa foram o site do TSE, entrevistas com dirigentes partidários das cidades, busca em redes sociais e em portais de notícia nacionais e locais.

Niterói

No boletim anterior identificamos que em 2016, havia uma clara hegemonia da esquerda, no município. Todos os candidatos que se apresentaram àquele pleito pertenciam a partidos desse campo político.

Entretanto, isso não impediu que o Bolsonaro levasse mais de 50% dos votos já no primeiro turno da corrida presidencial de 2018. Dado esse histórico, nossa hipótese era a de que a disputa pelo controle do município em 2020 seria mais equilibrada entre os dois campos do que fora em 2016.

As candidaturas registradas confirmam nossa hipótese. Temos ao todo 6 candidaturas, sendo apenas 2 candidaturas do campo da esquerda, Alex Grael pelo PDT, com uma ampla aliança que envolve PT, PC do B, PSB e outros partidos de centro-direita; e Flávio Serafini do PSOL.

Já pela direita, apresentam-se quadro candidaturas. No campo liberal, o principal nome é de Felipe Peixoto, político tradicional da cidade e que sempre se apresenta nos pleitos. A diferença é que em 2020 ele será desafiado por três candidaturas que pretendem capturar o fenômeno político do bolsonarismo, o qual é extremamente forte na cidade, como já demonstramos. São eles Antonio Rayol, do PODEMOS, que é delegado da Polícia Federal; Deuler Rocha, do PSL e Juliana Benício, do Partido Novo.

Mesmo a direita tendo o dobro de candidaturas da esquerda, esta se mostra altamente competitiva em Niterói justamente pela capacidade de romper com a lógica de fragmentação que marca esse campo na política nacional e estadual. A força do prefeito Rodrigo Neves, atualmente no PDT, porém oriundo do PT, é o fator explicativo para essa unificação.

A mais recente pesquisas de intenções de votos que encontramos (enquanto ainda se tratavam de pré-candidaturas) foi da Paraná Pesquisas[1]. Nos dois os cenários apresentados, descontando-se as respostas “não sabe” e “nenhum”, os candidatos de esquerda somam  46% e 62%, respectivamente. Na pesquisa espontânea – onde aparece o atual prefeito, Rodrigo Neves (PDT), além dos candidatos Axel Grael e Serafini –, a intenção de voto na esquerda chega a 76%.

Sublinhamos a força eleitoral de Rodrigo Neves que, mesmo sem ser candidato, é o nome mais citado (8,8%) na pesquisa espontânea seguido, de perto, por seu sucessor (6,9%) , quando o terceiro colocado (Felipe Peixoto) tem apenas 2%. Lembramos que Felipe Peixoto, em 2016, concorreu à prefeitura pelo PSB, com apoio dos partidos de direita, e chegou ao segundo turno, quando perdeu para Neves.

Vale ressaltar que nos cenários apresentados, a soma de respostas “Não sabe” e “Nenhum” somam no mínimo 30% e que, na pesquisa espontânea, esse número chega a 77,7% do eleitorado. Isso indica um cenário ainda indefinido, o que é relativamente normal nessa fase do processo eleitoral.

Maricá

Em Maricá, o prefeito Fabiano Horta (PT), eleito em primeiro turno em 2016, se apresenta para reeleição e é o principal nome do campo de esquerda, cuja maioria das legendas – PC do B, Cidadania e PDT –  se unificou em torno do seu nome. Sua gestão é bem avaliada e ele surge como favorito, com uma ampla coligação que tem ainda o Avante e o MDB.

Contra o prefeito, o campo da direita apresenta três candidaturas: Chiquinho (PSDB), César Augusto (PMN) e Ciro Fontoura (Republicanos). Para todos os três, é a primeira vez que se candidatam à prefeitura.

Chiquinho foi o vereador mais votado na cidade, em 2016, e é oposição ao governo Fabiano Horta, apesar de ter sido eleito pelo PT em 2012. César Augusto é coordenador do grupo “Direitá Maricá”, que apoia o presidente Jair Bolsonaro, e Ciro Fontoura se apresenta pelo partido onde estão filiados os filhos do presidente[2].  Isso indica que os dois devem disputar o voto bolsonarista na cidade.   

São Gonçalo

Em São Gonçalo, temos o maior número de candidatos, entre os três municípios analisados. O atual prefeito, José Luiz Nanci, do Cidadania, que tentará a reeleição, não está com popularidade alta[3] e por enfrentará outros sete postulantes.

Pela direita, concorrem Capitão Nelson, do Avante, Dejorge Patrício do Republicano, Ricardo Pericar do PSL e Roberto Sales do PSD. Todos eles buscam, de alguma forma, aproveitar a onda bolsonarista que também foi forte na cidade.

Já no campo da esquerda, a surpresa na reta final da convenções pré-campanha em São Gonçalo foi a retirada da candidatura Marlos Costa do PDT, para compor como como vice na chapa com o petista Dimas Gadelha.

Essa união PT-PDT contraria o alinhamento nacional desses partidos, porém conta com o apoio dos prefeitos das cidades vizinhas, Fernando Horta (PT) e Rodrigo Neves (PDT), que gozam de grande prestígio em seus respectivos eleitorados e que conseguiram, em suas chapas, produzir a mesma unidade. A chapa conta ainda com o apoio de outra força da política fluminense: o ex-governador Anthony Garotinho (PRP)

Há a expectativa, no PDT e PT da região, de fazer um grande bloco político de esquerda a partir desses três municípios (englobando ainda outras cidades tais como Itaboraí) que possa estruturar uma candidatura forte para governo do Estado em 2022, provavelmente encabeçada por Rodrigo Neves.

Outras candidaturas de esquerda são Isaac Ricalde, do PC do B, com apoio do PSOL, Dayse Ventura do PSTU e Rodrigo Piraciaba do PSB,

Conclusão

As candidaturas estão definidas e nos próximos dois meses poderemos avaliar como se comportam os dois campos políticos – direita e esquerda.

A força eleitoral de Bolsonaro já se faz presente na quantidade de candidatos no campo da direita, o que mostra um enfraquecimento da direita liberal nesses municípios.

Porém, como o presidente não está filiado a qualquer partido atualmente, ainda não é possível identificar que candidatos contarão com o apoio do eleitorado bolsonarista.  

A esquerda, que está dividida no plano nacional entre os polos PT/Lula e PDT/Ciro, aqui tem comportamento diferente: não competem entre si em nenhum dos três municípios. Em Niterói, o PDT tem grandes chances de eleger Axel Grael, o sucessor do prefeito atual, Rodrigo Neves, com apoio do PT. Em Maricá, é o PDT que optou por apoiar o prefeito petista, Fernando Horta, que tem boas chances de se reeleger. Em São Gonçalo, os partidos estão unidos na chapa Dimas-Marlos para tentar conquistar prefeitura após vários governos direitistas.


[1] Fonte: https://www.gazetadopovo.com.br/eleicoes/2020/pesquisa-eleitoral/prefeito-niteroi-rj-set-2020/

[2] Fonte: https://maricainfo.com/2020/06/25/eleicoes-em-marica-pesquisa-por-telefone-sobre-candidatos-a-prefeito.html

[3] https://www.ofluminense.com.br/cidades/8911-partidos-definem-candidatos-em-niteroi-sao-goncalo-e-marica

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