As eleições municipais na Região Nordeste

Por Isabela Neves, Isabel Uchoa e Renata Santiago

O presente texto pretende analisar o quadro eleitoral das nove capitais da Região Nordeste (Maceió, Salvador, Fortaleza, São Luís do Maranhão, João Pessoa, Recife, Teresina, Natal e Aracaju). Para isso, mapearemos pesquisas eleitorais de intenção de voto assim como o conteúdo das candidaturas, sabendo que, nesse momento, estas já estão definidas, e o primeiro debate ocorreu no dia 1 de outubro, na Band.

No boletim de setembro, resgatamos o crescimento da aprovação do presidente no Nordeste. Para este caso, verificou-se que a mídia e analistas políticos endentem como causa o auxílio emergencial de R$ 600, que havia sido inicialmente contestado pelo presidente mas que, segundo PNAD/IBGE, chegou a alcançar 58,9% dos lares nordestinos. Além disso, as obras de Transposição do Rio São Francisco e o projeto Casa Verde Amarela podem fazer perdurar essa aprovação.

Seguidamente, investigou-se o perfil eleitoral dessas cidades, procurando compreender a força de cada campo político, em uma Região vista como base do lulismo, embora apenas um candidato do PT tenha saído vitorioso nas últimas eleições (2012 e 2016) para a prefeitura das capitais.

Concluímos, no boletim de setembro, que havia uma tentativa de alguns candidatos da direita (inclusive liberal) de se utilizar, em suas narrativas, de mecanismos e estratégias bolsonaristas, seja pela ideia de anticorrupção ou a partir de símbolos nacionais. A esquerda, por sua vez, estava fragmentada na maioria das cidades, sendo preferida apenas em Recife e Fortaleza.

Assim, em meio a esse quadro, nossa hipótese era de que havia uma tendência de fortalecimento da direita liberal. Continuaremos com essa hipótese, verificando ainda se este campo realmente tem convergido seus movimentos com os do bolsonarismo, visando sua adesão.

As fontes que usamos foram os portais de notícias nacionais tais como: G1 e Brasil de Fato, e jornais locais (Diário de Pernambuco, Meio Norte, Repórter Nordeste, Jornal da Cidade.net).

O quadro eleitoral em Salvador

Sabe-se que o DEM dirige a prefeitura de Salvador desde 2012, com ACM Neto, que apoia a candidatura do vice prefeito Bruno Reis, do mesmo partido. A candidatura de Bruno Reis (DEM) possui 15 partidos coligados. A chapa tem o PDT, com Ana Paula Matos, como vice. O atual prefeito ACM Neto visa, na eleição de Bruno, a oportunidade de se estabelecer como preferido nas eleições para o governo do estado em 2022, possivelmente mantendo a aliança com o PDT.

Se algumas pesquisas, anteriores à oficialização da candidatura, já previam uma preferência eleitoral por Bruno, no dia 5 de outubro, o Ibope divulgou um levantamento em que ele já aparecia com 42% das intenções de voto. O resultado da pesquisa[1], que tem a margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, está na tabela abaixo:

Candidaturas por intenções de voto em Salvador

Bruno Reis (DEM)42%
Pastor Sargento Isidório (Avante)10%
Major Denice (PT)6%
Olívia (PCdoB)6%
Bacelar (Podemos)5%
Cezar Leite (PRTB)3%
Hilton Coelho (PSOL)2%
Rodrigo Pereira (PCO)1%
Celsinho Cotrim (PROS)0%
Branco/Nulo17%
Não sabe/Não respondeu8%

Tanto o atual governador da Bahia, Rui Costa (PT)[2], como ACM[3] foram reeleitos e governaram por dois mandatos, além de terem ganhado logo no primeiro turno a segunda eleição de seus mandatos. Além disso, a força política de ACM Neto se deve também ao fato de o prefeito pertencer a uma família tradicional da política baiana.[4]

A boa avaliação de ACM Neto e de Rui Costa dividiu o debate eleitoral entre três posições[5]: o vice prefeito, que defende a gestão de ACM e que teve até mesmo que apagar publicações com aparições de ACM Neto, que ultrapassavam o limite legal de 25%; os que defendiam o mandato do governador do estado e, finalmente, os que procuravam se distanciar desses dois polos.

Entre os que apoiam o projeto do governador do estado está a candidata lançada pelo mesmo partido, Major Denice, que obtém o apoio de Rui. Denice é policial militar, o que poderia ser estratégico, considerando que a valorização do militarismo constitui um dos núcleos ideológicos do bolsonarismo. Ela está com 6% das intenções de voto, enquanto, entre os apoiadores de Rui, quem segue na frente é o Pastor Sargento Isidório (com 10%), que se utiliza de simbologias e narrativas bolsonaristas (já por se afirmar Sargento e Pastor) mesmo já tendo se manifestado como contrário ao presidente Bolsonaro.

Outros candidatos que no debate se mostraram alinhados a Rui Costa foram Bacelar, do Podemos, e Olívia do PCdoB, que estão tecnicamente empatados com Major Denice. Os candidatos que se posicionaram como críticos a ambos os lados foram Hilton Coelho (PSOL) e Celsinho Cotrim (PROS).

Mesmo quanto aos percentuais de rejeição, Bruno Reis aparece apenas com 11%, longe do candidato mais rejeitado, que é Isidório, com 35%.

A disputa entre PT e DEM não é recente na história eleitoral da cidade, e nem do estado da Bahia. Em 2012[6], ACM Neto disputou o cargo de prefeito com Nelson Pelegrino, do PT. Rui Costa foi preferido em 2014[7] a Paulo Souto do DEM, sendo que o estado já era governado por um petista. Mesmo com a eleição de Rui Costa no primeiro turno, em 2018, o segundo colocado na disputa foi Zé Ronaldo, novamente, do DEM, que obteve 22,6% dos votos contra 75,50 do Rui. Assim sendo, os candidatos que não se alinham a ACM e nem a Rui acabam se utilizando de um lugar de outsider da chamada polarização DEM-PT.

O Ibope divulgou uma pesquisa[8] no dia 5 de agosto sobre a avaliação tanto do atual prefeito como do atual governador. 73% avalia o governo de ACM Neto como ótimo ou bom, contra 64% de Rui Costa. Se tratando da rejeição, ACM obteve 6% que avaliou seu mandato como ruim ou péssimo, enquanto Rui possui 8%.

                               O quadro eleitoral em Aracajú

Em Aracajú, mostramos que o atual prefeito, Edvaldo Nogueira, do PDT (eleito pela última vez, no entanto, pelo PCdoB, em 2016) tentará uma reeleição esse ano. Sua vice é Katarina Feitosa, que é mais uma entre os candidatos do Nordeste que se associa ao cargo da segurança pública; ela aparece como delegada e é filiada ao PSD.

O prefeito aparece com força nas pesquisas de intenção de voto. A tabela abaixo mostra essa pesquisa[9], em Aracajú,  realizada pelo Ibope de 7 a 9 de outubro:

Candidaturas por intenções de voto em Aracajú

Edvaldo (PDT)32%
Delegada Danielle (Cidadania)21%
Rodrigo Valladares (PTB)6%
Márcio Macêdo (PT)5%
Almeida Lima (PRTB)3%
Georlize (DEM)3%
Lúcio Flávio (Avante)3%
Alexis Pedrão (PSOL)2%
Delegado Paulo Márcio (DC)1%
Gilvani Santos (PSTU)0%
Branco/Nulo18%
Não sabe/Não respondeu6%

Apesar do atual prefeito estar 11% na frente da segunda colocada, Danielle, do Cidadania, verificamos que sua rejeição é 13% maior que a da delegada. Como os outros candidatos se encontram muito atrás desses dois, não é inconcebível que esta diferença entre Edvaldo e Danielle diminua em um eventual segundo turno com esses candidatos.

Aracajú tem um histórico eleitoral em que a esquerda se mostra forte. Isso se sucede até mesmo por três mandatos de Edvaldo[10]. Ambos os candidatos citados se enquadram na esquerda. Enquanto Edvaldo se insere na aliança PDT-PSD contanto, devido a isso, com o apoio do atual governador do estado que é do PSD, Danielle do Cidadania tem como vice Valadares Filho do PSB, que outrora foi apoiado pelo atual prefeito quando candidato ao pleito municipal, em 2012. A estratégia de Danielle poderá ser, portanto, criticar a gestão do prefeito.

O terceiro colocado dessa pesquisa, que não está muito à frente dos demais candidatos, é Rodrigo Valladares, que compõe a chapa Frente Conservadora, tendo apoio do PSL, Patriotas e PMN, se alinhando assim ao bolsonarismo.

Outro elemento a ser considerado é a grande quantidade de brancos e nulos que a pesquisa de intenção de votos em Aracajú, assim como em Salvador, apresenta.  São 18% que podem ou não mudarem seus votos para algum dos candidatos. Em Salvador são 17%.

                               O quadro eleitoral em Maceió

Em Maceió a direita liberal teve êxito nas eleições anteriores. O atual prefeito Rui Palmeira, foi eleito e reeleito pelo PSDB.  Já Renan Filho, do MDB, governa o Estado desde 2015. Ambos apoiam a candidatura de Alfredo Gaspar, do MDB. A chapa é composta também pelo Podemos que é o partido do candidato a vice. 

Embora pesquisas anteriores apontassem JHC como primeiro colocado, hoje há um empate técnico: Alfredo Gaspar aparece liderando na última pesquisa do Ibope (realizada de 7 a 9 de outubro), mas JHC (PSB) está a apenas 1% do líder nas pesquisas.

 A tabela abaixo mostra as intenções de voto na cidade, segundo o levantamento[11] feito pelo Ibope de 7 a 9 de outubro:

Candidaturas por intenções de voto em Maceió

Alfredo Gaspar de Mendonça (MDB)26%
JHC (PSB)25%
Cícero Almeida (DC)10%
Davi FIlho (Progressistas)5%
Lenilda Luna (UP)3%
Josan Leite (Patriota)2%
Ricardo Barbosa (PT)2%
Valéria Correia (PSOL)2%
Corintho Campelo (PMN)1%
Cícero Filho (PCdoB)1%
Nenhum/Branco/Nulo14%
Não sabe/Não respondeu8%

Diante do quadro apresentado por esta pesquisa, em que os dois primeiros colocados aparecem muito próximos em termos de intenção de voto, cabe considerar os percentuais de rejeição. Entretanto, vemos que mesmo a rejeição entre os dois candidatos não é tão significativa. JHC tem 21% que não votariam nele, contra 17% de Alfredo Gaspar. O candidato que lidera o percentual de rejeição é Cícero Almeida do DC, que é o terceiro colocado quanto às intenções de voto, com 10%.

Em suma, a direita liberal parece bastante consolidada em Maceió. Isso se deve ao apoio do governador do estado e do prefeito ao candidato do MDB, que alegou que seria preciso “cuidar das pessoas”[12] bem como o atual prefeito do Rio.  Outro motivo é o histórico eleitoral da região, haja visto que o PSDB governa a prefeitura de Maceió desde 2012, bem como o governo do estado é do MBD desde 2014, sendo que em 2010 foi eleito um candidato do PSDB.

Como destacamos no boletim do mês passado, a esquerda se encontra extremamente fragmentada em Maceió. Somente a chapa de JHC com vice do PDT, manteve uma articulação, situando-se na centro-esquerda.

As candidaturas municipais de João Pessoa(PB):

No último Boletim Eleitoral, apresentamos brevemente os 14 candidatos que estão concorrendo a prefeitura de João Pessoa. A cidade é dirigida por Luciano Cartaxo que, como já citado no último boletim, apesar de atualmente estar no Partido Verde, venceu em 2012 pelo PT e em 2016 pelo PSD. Cartaxo lança como candidata a professora Edilma Freire(PV), em chapa que tem PDT como vice. A professora tem como base de sua candidatura as políticas aplicadas pela atual gestão da cidade, principalmente no que se refere às conquistas na educação, criação de creches e investimento em lazer. A candidata, entretanto, precisou defender a atual gestão, que foi bastante criticada pelos outros candidatos a prefeitura durante os debates realizados pela TV Arapuan.

Anísio Maia(PT), tendo PCdoB como vice, se colocou como um candidato que lutou na ditadura militar, e baseou sua candidatura na crítica ao neoliberalismo, crítica aos privilégios de grandes empresas e, também, crítica à atual gestão de João Pessoa. Dessa forma, o petista defendeu a prioridade dos pequenos empresários e também a participação popular em sua possível gestão, além de citar como referência os governos Lula e Dilma.

Ainda nas esquerdas, o PSOL havia oficializado no dia 8 de setembro a candidatura de Pablo Honorato. Entretanto, um mês depois, o candidato anunciou a desistência de sua candidatura, e PSOL divulgou Ítalo Guedes como o novo candidato a prefeito. Pablo havia participado de debates e defendido como base de sua candidatura propostas de políticas públicas que caminham no sentido de igualdade social, defesa dos direitos humanos e forte crítica ao bolsonarismo. Ítalo Guedes, por sua vez, apesar de não ter participado de nenhum debate ainda, defendeu o acesso à políticas públicas, e tende a seguir a mesma linha de candidatura da defesa das causas apresentadas por Pablo Honorato, dado que são propostas comuns ao partido.

Ricardo Coutinho é o candidato pelo PSB. O candidato já foi prefeito de João Pessoa de 2005 à 2010, quando renunciou do cargo para disputar as eleições estaduais. Assim, foi eleito e ocupou a posição de governador da Paraíba de 2011 à 2018. Em 2019, entretanto, foi preso, suspeito de chefiar uma organização criminosa que desviava recursos da Saúde.[13] Coutinho,  entretanto, afirma ser vítima de perseguição política. Além disso, foi necessário que o candidato trocasse de vice-prefeito, dado que seu vice, inicialmente, seria do PT. Entretanto, após o anúncio da candidatura de Anísio Maia, o PT precisou retirar a presença na campanha de Coutinho, pois o partido teria duas chapas majoritárias, o que não é permitido pela legislação eleitoral. Dessa forma a sua vice-prefeita é parte do PSB.

Carlos Monteiro(REDE), por sua vez, se apresentou como ex-membro do grêmio estudantil, como servidor público e enfatizou que a sua candidatura foi escolhida pelo público. O candidato também afirmou que, se eleito, irá renunciar seu salário como prefeito e direcionar este dinheiro para o Fundo de Combate à Pobreza. O candidato tem como foco de sua campanha a participação popular. Ainda no campo da esquerda, os candidatos à prefeitura Rafael Freire(UP) e Rama Dantas(PSTU) possuem como foco de suas campanhas o diálogo com a população e mandatos pautados em conselhos populares e na luta dos trabalhadores. O último dos candidatos que estão no campo das esquerdas é Camilo Duarte, do PCO. O candidato afirmou que está apenas “emprestando seu nome” ao partido, pois se trata de uma candidatura do PCO. Além disso, afirmou que o trabalho do partido é em torno do comunismo e do socialismo. O candidato também deu apoio para uma candidatura de Lula em 2022.

Partindo para as direitas, o estado da Paraíba tem como governador João Azevedo, do Cidadania, que declarou seu apoio ao candidato a prefeito Cícero Lucena, do Progressistas, que terá Léo Bezerra, do Cidadania, como candidato a vice-prefeito. O candidato já foi prefeito de João Pessoa de 1997 à 2005 e durante a atual campanha usou como forte estratégia a comparação entre suas gestões e a atual gestão da cidade. O candidato João Almeida, do Partido Solidariedade, por sua vez, se apresentou como policial “ficha limpa” que “conhece sua função social” e que foge da “velha política”, durante um debate organizado pela TV Arapuan. Além da rejeição à “velha política”, o candidato busca se associar à imagem de Bolsonaro de outras formas, como afirmar que sua candidatura é “uma candidatura sem governo, sem prefeitura”, remetendo à uma imagem independente e de anticorrupção. O candidato Nilvan Ferreira(MDB), que era apresentador de TV, constrói sua candidatura baseada na ideia da TV que auxilia no combate à pobreza, na ideia de mídia que “chega aonde o governo não chegou”. Além disso, deu apoio à pastores e padres, afirmando que eles também exercem esse papel.

Raoni Mendes, do Democratas, por sua vez, defendeu como base de sua candidatura o combate à corrupção.  O candidato Ruy Carneiro(PSDB) enfatizou em sua campanha a questão da Saúde, dando bastante atenção aos investimentos em hospitais e de recursos para a Saúde da cidade. Por fim, o candidato Wallber Virgolino(Patriota) se apresentou como um candidato bolsonarista durante a sua campanha, além de se utilizar de estratégias bolsonaristas, como a associação à figura de anticorrupção, apoio aos empresários e defesa da liberdade econômica. Além disso, o candidato enfatiza bastante que apoia o presidente e até participou de um debate vestindo uma camiseta que tinha como estampa o rosto de Bolsonaro.

Assim sendo, a partir da análise da história eleitoral de João Pessoa é possível notar que a cidade foi uma das apenas três capitais da Região Nordeste onde Jair Bolsonaro venceu as eleições em 2018. Dessa forma, é possível compreender a estratégia da adesão ao bolsonarismo por parte principalmente dos partidos Solidariedade, Patriota e Progressistas.

Cícero Lucena(PP)18%
Nilvan Ferreira(MDB)15%
Ricardo Coutinho(PSB)12%
Wallber Virgolino(PATRIOTA)10%
Ruy Carneiro(PSDB)7%
Edilma Freire(PV)5%
Raoni Mendes(DEM)2%
Anísio Maia(PT)1%
João Almeida(SOLIDARIEDADE)1%
Camilo Duarte(PCO)menos de 1%
Carlos Monteiro(REDE)menos de 1%
Pablo Honorato(PSOL)menos de 1%
Rafael Freire(UP)menos de 1%
Rama Dantas(PSTU)0%
Branco/Nulo20%
Não sabe/Não respondeu8%

A Pesquisa Ibope divulgada no dia 5 de outubro aponta Cícero Lucena(PP) com 18% de intenção de voto, seguido por Nilvan Ferreira(MDB) com 15%, Ricardo Coutinho(PSB) com 12%. Além disso, no índice de rejeição, Ricardo Coutinho lidera com 43%, seguido por Cícero Lucena com 30%, Ruy Carneiro com 18% e Nilvan Ferreira com 16%. 

O candidato do PP, apesar de se mostrar o que possui maior intenção de voto, também é o segundo mais rejeitado. Assim, é possível pensar que o candidato com maior probabilidade de vencer esta eleição é Nilvan Ferreira, dado que, considerando a margem de erro das intenções de voto, ele está empatado com Cícero Lucena e, além disso, Nilvan possui pouca rejeição.

Ademais, outro fator de fomenta a ideia de que o futuro prefeito de João Pessoa será Nilvan Ferreira é a questão de que Cícero Lucena já foi prefeito da cidade e governador da Paraíba, e considerando o movimento contra a “velha política” Nilvan leva vantagem, dado que este é um candidato novo na política e que antes era bastante próximo do povo, por ter sido um apresentador de TV.

Os candidatos de Recife(PE)

O quadro eleitoral de Recife é dominado pela esquerda desde os anos 2000, com 4 governos seguidos do PT e dois do PSB, se mantendo até os dias atuais. Não obstante, o governo Estadual também se mantém na mesma linha, com o PSB no poder desde 2006. João Campos é o candidato que tenta mais um mandato do PSB em Recife, junto com a vice do PDT. O candidato vem tentando valorizar todos esses anos de mandato do partido como estratégia eleitoral.

Marília Arraes, por sua vez, é a candidata do PT, e junto com seu vice do PSOL tenta a prefeitura. A candidata conta com apoio do presidente do PT-PE e do senador Humberto Costa. Este último, entretanto, chegou a declarar que os “verdadeiros adversários” são os candidatos de direita, fazendo referência a ideia de que o tom da campanha não deve ser de ataques ao PSB. Além disso, outro marco de sua campanha é o apoio de Lula, Dilma e Haddad, cujos vídeos de apoio à campanha foram transmitidos durante a convenção que a lançou como candidata.

Ainda na esquerda, Cláudia Ribeiro(PSTU), assim como o candidato Thiago Santos(UP), tem como foco de sua campanha eleitoral a proposta de criação de conselhos populares e medidas que integrem e melhorem a qualidade de vida da classe trabalhadora, além do foco no anti-bolsonarismo. O último dos candidatos das esquerdas, Victor Assis(PCO), entretanto, afirma que não “nutre nenhuma esperança” de eleição a partir de sua candidatura, pois afirmou que o processo das eleições é “fraudulento e antidemocrático”. Assim, o candidato afirmou que sua campanha serve apenas para dar voz a um movimento anti-Bolsonaro e para dar apoio a uma candidatura de Lula em 2022.

No campo da direita, Alberto Feitosa(PSC) tem como lema de campanha “cor verde-e-amarela no Recife”. Além disso, no banner de sua campanha, havia uma imagem do presidente Jair Bolsonaro. Feitosa afirmou, inclusive, que pretende “varrer a esquerda e a cor vermelha”[14] da cidade. Além disso, o candidato também possui um forte discurso anticorrupção e, mais uma vez citando o presidente em sua campanha, Feitosa afirmou “Como fez o presidente Bolsonaro com o Brasil, vamos fazer aqui no Recife”[15].

Ademais, o candidato também classificou em sua campanha vendedores ambulantes como empreendedores, na defesa ao empreendedorismo. Com seu vice se tratando de um pastor do Patriota, Feitosa também investe no eleitorado evangélico, além do eleitorado bolsonarista. Assim, como Feitosa, Carlos Andrade Lima(PSL) também defendeu o empreendedorismo e também se colocou como uma reação contra a velha política. Outro bolsonarista que participa das eleições é Marco Aurélio(PRTB), que declarou apoio a Bolsonaro e afirmou que “não é bolsonarista de oportunismo”, fazendo referência aos outros candidatos que também declaram apoio ao presidente, mas que fazem parte da “velha política”. Mendonça Filho(DEM) também tenta se associar à imagem de Bolsonaro, se lançando como candidato com o slogan “Mendonça é Bolsonaro, Bolsonaro é Mendonça”[16], além de fazer parte da chapa “Recife Acima de Tudo”, que faz referência ao slogan de Bolsonaro em 2018.

Charbel Maroun(NOVO), por sua vez, centrou sua campanha no apoio ao empreendedor e também defendeu serviços públicos com parcerias de iniciativas privadas, enquanto Patrícia Domingos(Podemos) foca em sua campanha na premissa do combate à corrupção.

Sendo assim, é perceptível dentre as direitas, uma dicotomia entre a direita bolsonarista e a direita liberal. Enquanto isso, nas esquerdas a disputa central fica entre o candidato do PSB e a candidata do PT.

João Campos(PSB)23%
Mendonça Filho(DEM)19%
Marília Arraes(PT)14%
Delegada Patrícia Domingos(PODEMOS)11%
Cláudia Ribeiro(PSTU)1%
Coronel Alberto Feitosa(PSC)1%
Marco Aurélio(PRTB)1%
Carlos Lima(PSL)menos de 1%
Charbel Maroun(NOVO)menos de 1%
Victor Assis(PCO)menos de 1%
Thiago Santos(UP)menos de 1%
Nenhum/branco/nulo22%
Não sabe/Não respondeu7%

De acordo com a pesquisa Ibope, João Campos(PSB) lidera a pesquisa de intenção de voto com 23%, seguido por Mendonça Filho(DEM) com 19% w Marília Arraes(PT) com 14%. Sendo assim, o candidato com mais probabilidade de vitória é João Campos, pois, além de possuir o maior índice de intenção de voto, Recife tem um longo histórico de vitórias da esquerda nas últimas eleições, tanto municipais e estaduais, quanto presidenciais. Assim, dado que João Campos e Mendonça Filho possuem, ambos, 36% de rejeição, o candidato do PSB tem uma vantagem, pois possui o mesmo índice de rejeição, mas conquistou mais aprovação do que o candidato bolsonarista.

O quadro eleitoral em Natal(RN)

Como já colocado no último boletim, Natal e o próprio Rio Grande do Norte são os locais que possuem uma configuração política mais forte para a direita no Nordeste. Além da vitória de Bolsonaro já no primeiro turno, em 2018, como apresentado no Boletim de Setembro, Natal e Rio Grande do Norte possuem um histórico de alternância entre lideranças de esquerda e de direita, tendo, atualmente como prefeito Álvaro Dias, do PSDB, e como governadora a petista Fátima Bezerra. O atual prefeito da capital potiguar, entretanto, pretende se reeleger, tendo como vice uma candidata do PDT.

O candidato do PSDB, portanto, tem como centro de sua campanha os feitos de sua gestão, principalmente no que diz respeito à pandemia do novo coronavírus. Ainda na direita, Afrânio Miranda(Podemos), assim como Delegado Sérgio Leocádio(PSL), colocaram o combate à corrupção como tema central de suas candidaturas.

O candidato do PSL, que tem como vice a delegada aposentada Deusa Martins(PP), ainda afirmou que “não gosta da esquerda” no debate realizado pela Rede Bandeirantes e se disse indignado com outros candidatos criticando Bolsonaro. Além de centralizar sua campanha na anticorrupção e apoiar veemente o presidente, Leocádio afirmou que defende a pátria, a família e Deus, alinhando ainda mais sua campanha ao bolsonarismo.

Os candidatos a prefeito André Azevedo(PSC) e Coronel Hélio Oliveira(PRTB) também constroem candidaturas alinhadas ao nome do presidente ao defenderem como prioridade da gestão o alinhamento da prefeitura ao governo federal. Outro candidato bolsonarista é Fernando Pinto(NOVO), que em sua candidatura incentiva e defende o empreendedorismo, critica a velha política e o uso de fundo partidário, além de ter criticado durante o debate na Band aqueles que elogiam o presidente “apenas por aparências”, e se declarou bolsonarista.

Além destes candidatos, Kelps Lima(Solidariedade) e a pastora Jaidy Oliver(DC) também colocaram como tema central de suas candidaturas o alinhamento à Bolsonaro. Esta última se apresenta ainda com um apelo também ao eleitorado evangélico.

Já no campo das esquerdas, a Coletiva do Sol(PSOL), composta por Nevinha Valentim, Danniel Morais, Liliana Lincka e Sol Victor, defende para sua gestão políticas públicas de igualdade. A legislação eleitoral não prevê candidaturas coletivas, por isso, no dia da eleição,  na urna deve constar o nome de um dos candidatos como prefeito e outro como vice. Os candidatos a prefeito Fernando Freitas(PCdoB) e Rosália Fernandes(PSTU) defenderam a participação popular como central e têm como parte das campanhas suas críticas à Bolsonaro.

Jean-Paul Prates(PT) criticou veemente, em sua campanha, o governo Bolsonaro também o atual prefeito Álvaro Dias, além de usar como referência os governos Lula e Dilma. Por fim, Carlos Alberto(PV) centralizou sua campanha na crítica à velha política, e Hermano Morais(PSB), teve como foco uma oposição à Álvaro Dias.

Álvaro Dias(PSDB)33%
Kelps Lima(SOLIDARIEDADE)12%
Hermano Moraes(PSB)6%
Carlos Alberto(PV)4%
Delegado Sergio Leocádio(PSL)3%
Coronel André Azevedo(PSC)2%
Fernando Freitas(PCdoB)2%
Jean-Paul Prates(PT)2%
Jaidy Oliver(DC)1%
Rosália Fernandes(PSTU)1%
Coronel Hélio Oliveira(PRTB)1%
Fernando Pinto(NOVO)1%
Afrânio Miranda(PODEMOS)0%
Nevinha Valentim(PSOL)0%
Branco/Nulo20%
Não sabe/Não respondeu11%

A pesquisa Ibope mostrou, entretanto, que Álvaro Dias(PSDB) lidera as intenções de voto com 33%, seguido por Kelps Lima(Solidariedade) com 12% e Hermano Morais(PSB) com 6%. Dessa maneira, o que vemos é uma liderança forte do atual prefeito, que segue a caminho de sua reeleição.

Quando olhamos o índice de rejeição dos candidatos a reeleição de Álvaro se nota ainda mais clara: o candidato com maior rejeição é Kelps Lima com 24%, seguido por Hermano Morais com 20%. O atual prefeito aparece apenas na terceira posição, com 18% de rejeição. Além disso, outra pesquisa Ibope, divulgada pela Inter TV Cabugi neste mês aponta que o prefeito tem aprovação de governo de 63%. Assim, a inclinação à direita de Natal se mostra forte neste período eleitoral.

A disputa eleitoral em São Luís

No boletim passado, afirmamos que o pleito na capital maranhense tinha como nomes principais Eduardo Braide (Podemos), Duarte Jr (Republicanos), Neto Evangelista (DEM) e Bira do Pindaré (PSB). Esta afirmação se confirma na pesquisa Ibope divulgada em 21/9, como ilustrado na tabela abaixo:

CandidatoPartidoIntenção de voto
Eduardo BraidePodemos43%
Duarte Jr.Republicanos14%
Neto EvangelistaDEM10%
Bira do PindaréPSB5%
Adriano SarneyPV4%
Carlos MadeiraSolidariedade2%
Jeysael MarxRede2%
Rubens Jr.PcdoB2%
Franklin DouglasPSOL1%
Dr. YglésioPROS1%

Com objetivo de compreender o perfil de cada candidato, seu espectro político e o eleitorado cujo voto busca captar, analisaremos primeiramente o primeiro dia de programa eleitoral (exibido em 09/10/2020) daqueles que possuem tempo televisivo, e, posteriormente, o posicionamento e desempenho de cada um dos candidatos à prefeitura de São Luís que participaram do debate realizado pela Tv Bandeirantes, ocorrido em 1/10.

Eduardo Braide (PODEMOS) utilizou de seu 1min e 44s de televisão para fazer uma retomada a sua campanha de 2016, em que disputou o pleito com Edivaldo Holanda Júnior, recebendo 46,06% dos votos no 2o turno. O candidato coloca a campanha de 2020 como uma segunda chance, sendo agora postulado como favorito.

Já Neto Evangelista (DEM), que possui 2min e 54s de tempo televisivo,  falou sobre seu desempenho como deputado estadual, contou como entrou para a política e, ignorando o estigma negativo de “filho de político”, dedicou parte de seu programa para falar sobre o trabalho de seu falecido pai, João Evangelista, ex deputado estadual e vereador de São Luís. O candidato também contou sobre sua experiência como secretário do Desenvolvimento Social de Flávio Dino, com objetivo de ter seu nome atrelado ao do governador pecedobista.

Bira do Pindaré (PSB), nome da esfera progressista que se encontra mais bem posicionado nas pesquisas, é outro candidato que utilizou de sua ligação com Flávio Dino na propaganda eleitoral, mencionando o período em que atuou como Secretário da Ciência e Tecnologia do governador. Ele dispõe de 42 segundos de televisão.

Duarte Jr. abusou de vídeos e fotos com Flávio Dino, e utilizou o bordão “Bora resolver?” em referência a seu trabalho como presidente do PROCON-MA. Apesar de ser o nome do Republicanos, partido da base do governo federal, Duarte não faz qualquer menção a Bolsonaro em seu 1min e 33s de programa eleitoral.

Franklin Douglas, do PSOL, utiliza seus 18 segundos para criticar o governo Bolsonaro e se colocar como opção de oposição ao governo federal na prefeitura de São Luís.

Rubens Jr., por sua vez, amparado na força política do lulismo, foca seu programa eleitoral no apoio de Lula – com direito a vídeo do ex-presidente afirmando que Rubens é o candidato do PT para São Luís – e no fato de que é do mesmo partido do governador Flávio Dino. Ele dispõe de 2min e 7s de televisão.

Finalmente, ao compararmos o teor do programa eleitoral de cada um dos postulantes a prefeitura da capital maranhense, percebe-se que uma constante – com exceção de Franklin Douglas e Dr Yglésio –  é a utilização da imagem de Flávio Dino para atrair o eleitorado. Em adição a esse fato, ao analisarmos as falas e a participação dos candidatos no debate da Band, pode-se perceber a diversidade de espectros políticos entre os candidatos que se dizem alinhados a Dino.

Eduardo Braide, apesar de recentemente haver recebido o apoio do PSDB – com a retirada da candidatura de Wellington do Curso por decisão de Roberto Rocha, líder do PSDB no Maranhão e crítico ferrenho a Dino – fez menções ao governador, mesmo que de forma mais tímida do que os demais candidatos.  Já Duarte Jr. e Neto Evangelista, ambos representantes da direita liberal, citaram o nome e o apoio de Dino diversas vezes durante o debate. No campo da esquerda, figuram Rubens Jr., ex secretário das Cidades e Desenvolvimento Urbano, e Bira do Pindaré, que como mencionado anteriormente, é ex secretário de Ciência e Tecnologia do governador.

Entre os candidatos que adotaram posição crítica a Dino, no entanto, estão Franklin Douglas (PSOL) e Silvio Antônio (PSL). Enquanto Silvio surfa no antipetismo – mencionando diversas vezes o ex-presidente Lula como maior corrupto do Brasil e ex-condenado, e referindo-se a si mesmo como único candidato de direita a prefeitura de São Luís -, Franklin, por sua vez, representa uma crítica a Dino à esquerda, motivado por divergências a algumas políticas adotadas pelo governador ao decorrer de seus dois mandatos. O psolista destacou diversas vezes ao longo do debate sua indignação com o episódio de Cajueiro, território quilombola localizado na zona rural de São Luís, onde famílias sofreram um despejo violento em agosto de 2019 com objetivo de abrir espaço para projeto de construção de um porto na área. O candidato acusa o governador de promover gentrificação.

Já o Dr. Yglésio, do PROS, optou por adotar um discurso anti-polarização, dizendo estar aberto ao diálogo. Apesar do PROS, partido do chamado “centrão”, ter feito parte da coligação do PT na eleição presidencial de 2014 e mantido o apoio em 2018 com Haddad, Yglésio não se coloca como candidato de Lula, nem de Bolsonaro, nem tampouco de Flávio Dino. Esta estratégia pôde ser percebida também nos 16 segundos de programa eleitoral, onde ele utilizou de fotos de cidadãos ludovicenses de diversos perfis, arrematando com a frase “Sou Yglésio e quero ser você na prefeitura de São Luís”.

Sendo assim, a disputa eleitoral em São Luís confirma a força política do governador do Maranhão, Flávio Dino, sendo possivelmente disputada entre dois candidatos de sua base eleitoral. Levando em conta o desempenho de Eduardo Braide na disputa pela prefeitura de São Luís em 2016 – sendo ele o maior nome de oposição ao prefeito eleito, Edivaldo Holanda Jr. – e percebendo sua consolidação como líder nas pesquisas ao pleito de 2020, existe grande probabilidade de uma vitória do candidato do Podemos em turno único. Porém, caso não alcance 50% dos votos, o nome a disputar o segundo turno com Braide encontra-se em aberto, uma vez que Duarte Jr. e Neto Evangelista aparecem com diferença de apenas 4% das intenções de voto, empatados tecnicamente devido a margem de erro.

A eleição municipal em Teresina

Como mencionado no boletim de outubro, a disputa eleitoral de Teresina encontra-se centralizada entre as candidaturas da direita liberal. Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Amostragem e divulgada em 22/9, as intenções de voto se apresentam da seguinte forma.

CandidatoPartidoIntenção de voto
Dr. PessoaMDB32,07%
Fábio AbreuPL20,17%
Kléber MontezumaPSDB13,88%
Fábio NovoPT6,94%
Major DiegoPatriota1,82%
Lucineide BarrosPSOL1,32%
Simone PereiraPSD0,66%
Fábio SérvioPROS0,66%
Lourdes MeloPCO0,66%
Mário RogérioCidadania0,33%
Pedro LaurentinoUP0,33%
Gervásio SantosPSTU0,17%
Gessy FonsecaPSC0,17%

Percebe-se que, apesar da hegemonia do PT no governo do estado, já mencionada no boletim passado, o partido segue sem conseguir construir grandes chances para a prefeitura da capital piauiense, com o candidato Fábio Novo estacionado nos 6%. Fábio é o nome da esfera progressista mais bem colocado nas pesquisas, sendo o único que possui, até agora, alguma chance – mesmo pequena – de ir a um possível segundo turno.

O primeiro debate eleitoral para a prefeitura de Teresina ocorreu no dia 27/9, promovido pela Rede Meio Norte em seu canal de Youtube. O mesmo contou com a participação de 10 dos 13 candidatos ao pleito, excluindo três nomes da esquerda: Pedro Laurentino, da UP, Lourdes Melo, do PCO, e Gervásio Santos, do PSTU.

Ao decorrer do debate, a reestruturação econômica de Teresina foi o tema mais abordado pelos candidatos. Gessy Fonseca, do PSC, e Simone Pereira, do PSD, confirmaram suas posições como candidatas da direita liberal, direcionando diversas vezes suas falas ao empresariado. Os representantes bolsonaristas Major Diego (Patriota) e Fábio Abreu (PL), também adotaram esta postura,  culpabilizando diversas vezes o lockdown adotado na cidade frente a pandemia de COVID 19 – descrito por ambos os candidatos e por Simone Pereira como “medidas ditatoriais”  – pelos prejuízos à microempresas e o desemprego crescente.

Um consenso da ala bolsonarista foi adotar postura crítica tanto ao governo estadual, representado pelo PT de Fábio Novo, quanto ao governo municipal, do PSDB, cujo candidato para a prefeitura é Kléber Montezuma. Major Diego, Fábio Abreu e Fábio Sérvio se apresentaram como uma terceira via; inflamaram um discurso anti-política, colocando a polarização PT x PSDB como uma disputa entre iguais, e utilizaram, sobretudo, a pauta da crise de segurança pública para ganhar a atenção do eleitorado.

Quando partimos para a análise do primeiro dia de programa eleitoral (exibido em 9/10), percebemos uma grande discrepância de tempo televisivo. Kléber Montezuma, da coligação O Povo Faz Acontecer, detém 3 min e 40 segundos do total de 10 minutos disponibilizados para o horário eleitoral, e utilizou deste tempo para contar seu currículo, mencionar sua experiência como secretário de Firmino Filho e apresentar um vídeo do atual prefeito declarando seu apoio. Já Fábio Novo, da coligação Muito Mais Por Teresina, é o segundo candidato com maior tempo de TV – 1 minuto e 31 segundos – e como representante do governo estadual, optou por contar sua experiência como Secretário da Cultura do Piauí.

Candidatos com menos tempo de TV, como Simone Pereira (PSD), que possui 44 segundos, Mário Rogério (Cidadania), com 14 segundos, Major Diego (Patriota), com 15 segundos, e Gessy Fonseca (PSC), com 14 segundos, tiveram que adotar discursos mais breves; Gessy mira na criação de empregos, enquanto Mário dá enfoque à importância de uma educação pública de qualidade. Já a candidata do PSD e o candidato do Patriota optaram por criticar brevemente o trabalho do PSDB na prefeitura teresinense.

Fábio Abreu, do PL, utiliza de seu 1 minuto e 26 segundos para falar sobre seu passado como militar, atuando no exército e na PM, enquanto Dr. Pessoa, que possui 1 minuto e 19 segundos de tempo televisivo, enfatiza seus anos de trabalho como médico e utiliza o bordão “Eu vou cuidar da nossa gente”.

Pessoa é nome conhecido do eleitorado piauiense –  recebeu 39,77% dos votos no segundo turno da disputa pela prefeitura de Teresina em 2016, sendo derrotado por Firmino Filho, e perdeu a eleição para governador em 2018 para Wellington Dias (PT), obtendo 20,48% dos votos. Para o pleito de 2020, aparece como líder das intenções de voto.

O provável segundo turno da disputa eleitoral em Teresina, no entanto, se mostra ainda difícil de prever. Dr. Pessoa (MDB) e Fábio Abreu (PL) encabeçam as pesquisas, porém o segundo não possui ampla vantagem em relação aos demais candidatos. Fábio tem apenas 7% a mais das intenções de voto que Kléber Montezuma, que figura em terceiro lugar.

A disputa eleitoral em Fortaleza

Entre as capitais pesquisadas, Fortaleza foi a única onde o debate entre os candidatos ainda não ocorreu. Sendo assim, focaremos na análise do primeiro dia de programa eleitoral (exibido em 9/10).

Entre os candidatos da direita, Heitor Férrer (Solidariedade), representante da direita tradicional, possui 1 minuto e 2 segundos de tempo televisivo. Ele detalhou sua experiência como médico e frisou seu objetivo de “cuidar das pessoas”. Pela ala bolsonarista, Heitor Freire, nome do PSL, utiliza vários jargões e frases de efeito ao longo de seu 1 minuto e 8 segundos de programa eleitoral – tais como “para endireitar Fortaleza”, “a direita faz direito”, e o lema de Ordem e Progresso. Heitor, que se intitula o candidato das pessoas de bem e pró vida, também adotou a tática de chamar os eleitores para suas redes sociais, assim como feito por Bolsonaro na campanha de 2018.  Já Capitão Wagner, do PROS, falou sobre sua carreira militar e política em seu 1 minuto e 30 segundos de tempo televisivo. Apesar de por vezes ser lido como candidato bolsonarista, Wagner utiliza um discurso anti-polarização e se  coloca como o candidato “capaz de unificar Fortaleza”.

CandidatoPartidoIntenções de voto
Capitão WagnerPROS35%
Luizianne LinsPT14,9%
Sarto NogueiraPDT10,1%
Heitor FerrerSolidariedade7,3%
Renato RosenoPSOL4,7%
Célio StudartPV4,5%
Heitor FreirePSL2,2%
Anízio MeloPCdoB0,5%

Nome da esfera progressista, Sarto Nogueira é o candidato com maior tempo televisivo, dispondo de 4 minutos para seu programa eleitoral. Nogueira, representante cirista ao pleito, centrou seu programa em um vídeo de apoio de Roberto Cláudio, atual prefeito de Fortaleza. Já Luizianne Lins, do PT, utilizou seu 1 minuto e 11 segundos de tempo televisivo para relembrar seu histórico como ex-prefeita da capital cearense, e sua ligação com Camilo Santana, atual governador do Ceará. Célio Studart (PV) utiliza seus 11 segundos para criticar as campanhas milionárias, enquanto Renato Roseno (PSOL) fala brevemente, em seus 18 segundos, sobre a importância de políticas públicas para melhoria da cidade. 

Analisando a pesquisa realizada pelo Instituto Paraná e divulgada no dia 12/10, é possível perceber que o pleito em Fortaleza é marcado pela disputa entre candidata do lulismo e candidato cirista para chegar ao segundo turno. Luizianne Lins e Sarto Nogueira disputam o mesmo eleitorado, estando empatados tecnicamente devido a margem de erro. Capitão Wagner, do PROS, aparece como líder das intenções de voto.

Conclusão

Dessa maneira, podemos observar a confirmação daquilo que já estava se desdobrando desde o início da pandemia do novo Coronavírus: a adesão cada vez maior a candidatos e partidos de direita na região nordeste.

Os candidatos de esquerda que são preferidos estão apenas em Recife, com o PSB, em Aracaju, com o PDT (embora possua uma vice do PSD), e em Maceió, com o empate do PSB com MDB. Fortaleza também se destaca, com a esquerda repartida (PDT e PT) disputando por uma chance de chegar ao segundo turno. Assim, evidencia-se que a esfera progressista vem perdendo sua força e dando espaço à direita liberal e bolsonarista, como já havíamos levantado como hipótese no último boletim. 

Além disso, graças ao crescimento da popularidade do presidente na região, é possível identificar, nas campanhas eleitorais, a adesão de muitos candidatos a estratégias associadas à Bolsonaro, sejam estas símbolos nacionais ou ideais, como a anticorrupção e a crítica à chamada “velha política”.

Outro aspecto a ser destacado, é a quantidade de candidatos delegados ou relacionados ao setor de segurança pública que as capitais do Nordeste apresentam. Até mesmo na esquerda, por exemplo em Salvador com a candidata Major Denice (PT), reproduz-se esse padrão. O que pode denunciar uma centralidade do debate em torno dessa política na Região.

Finalmente, é possível estabelecer que o nordeste se distancia cada vez mais de sua imagem relacionada à esquerda, principalmente ao petismo. Apesar de suas particularidades regionais, ela tem se tornado mais homogênea com relação às outras regiões brasileiras, aderindo principalmente à direita liberal, que outrora se mostrava presente em algumas capitais, mas não com tanto predomínio como as pesquisas de intenção de voto vem mostrando para esse ano.


[1] https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2020/10/05/ibope-em-salvador-bruno-reis-tem-42-pastor-sargento-isidorio-10.htm

[2] https://pt.wikipedia.org/wiki/Rui_Costa_(pol%C3%ADtico)

[3] https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_Carlos_Magalh%C3%A3es_Neto

[4] https://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/acm-neto-%E2%80%9Cvoce-pode-ser-tradicional-e-renovacao%E2%80%9D/

[5] https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2020/10/02/salvador-escudeiros-do-pt-e-franco-atiradores-isolam-escolhido-de-acm-neto.htm

[6] http://g1.globo.com/bahia/eleicoes/2012/noticia/2012/10/acm-neto-e-eleito-prefeito-em-salvador.html

[7] http://g1.globo.com/bahia/eleicoes/2014/noticia/2014/10/rui-costa-do-pt-e-eleito-governador-da-bahia.html

[8] https://g1.globo.com/ba/bahia/eleicoes/2020/noticia/2020/10/05/pesquisa-ibope-veja-avaliacao-de-acm-neto-e-rui-costa-na-bahia.ghtml

[9] https://g1.globo.com/se/sergipe/eleicoes/2020/noticia/2020/10/09/pesquisa-ibope-em-aracaju-edvaldo-32percent-delegada-danielle-21percent.ghtml

[10] https://pt.wikipedia.org/wiki/Edvaldo_Nogueira

[11] https://g1.globo.com/al/alagoas/eleicoes/2020/noticia/2020/10/09/pesquisa-ibope-em-maceio-alfredo-gaspar-26percent-jhc-25percent.ghtml

[12] https://reporternordeste.com.br/maceio-alfredo-gaspar-apresenta-plano-de-governo/

[13] https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2019/12/20/ex-governador-da-pb-ricardo-coutinho-e-preso.ghtml

[14] https://www.diariodepernambuco.com.br/noticia/politica/2020/09/alberto-feitosa-confirma-candidatura-a-prefeito-do-recife-em-convencao.html

[15]https://g1.globo.com/pe/pernambuco/eleicoes/2020/noticia/2020/09/16/psc-oficializa-alberto-feitosa-como-candidato-a-prefeito-do-recife.ghtml

[16] https://jc.ne10.uol.com.br/politica/2020/09/11974878—mendonca-e-bolsonaro–e-bolsonaro-e-mendonca—-diz-musica-de-alcymar-monteiro-doada-a-campanha-de-mendonca-filho.html

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