Eleições municipais 2020: Belo Horizonte e Vitória

Por Sofia Ferreira

O presente texto apresenta um mapeamento das eleições municipais de 2020 em Belo Horizonte – MG e Vitória – ES, procurando observar a disputa eleitoral entre a direita e a esquerda e as tendências para cada cidade. Para isso, analisaremos as pesquisas eleitorais divulgadas no início de outubro e o conteúdo de algumas candidaturas.

O quadro eleitoral em Belo Horizonte tende para um favoritismo a candidatura de reeleição de Alexandre Kalil, do PSD. Em Vitória, o cenário é mais disputado, porém, as pesquisas apontam uma predileção a candidatura de Fabrício Gandini (Cidadania) por conta do potencial de crescimento.

Vale ressaltar que o contexto eleitoral de 2020 é inédito, dada a pandemia da Covid-19 e, nessa conjuntura, os candidatos terão um período reduzido para as campanhas eleitorais além de aglomerações não serem recomendadas.

As fontes usadas para essa pesquisa foram jornais locais das cidades e portais de notícia de grande circulação como G1 e Folha de São Paulo.

O quadro eleitoral em Belo Horizonte

Em Belo Horizonte, foram registradas 15 candidaturas para o cargo de prefeito. Entre elas, Alexandre Kalil (PSD) que concorre à reeleição e lidera as pesquisas eleitorais divulgadas no início de outubro. Segundo a pesquisa do Ibope, divulgada dia 2 de outubro, o candidato, apresenta 58% das intenções de voto em cenários estimulados e 43% em cenários espontâneos. [1] Na pesquisa Datafolha, divulgada dia 8 de outubro, aparece com 56% das intenções de voto. [2] De acordo com pesquisas do Ibope, a atual gestão do prefeito possui um índice de aprovação de 76% e 65% dos entrevistados a avaliam como ótima ou boa.[3]

Durante a pandemia, Kalil (PSD), adotou as medidas aconselhadas por especialistas para conter a contaminação da doença, contrariando o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) e o presidente da república. Nesse contexto, uma pesquisa realizada pelo Instituto Quaest, no final de março, mostrou que mais da metade dos entrevistados concordavam com as ações do prefeito.[4] No entanto, essas decisões geraram protestos entre empresários e comerciantes e críticas de seus adversários.[5] Se reeleito, Kalil (PSD), assegura que uma de suas prioridades será recuperar a economia de Belo Horizonte. A coligação para a reeleição conta com Rede, PP, DC, MDB, PV e PDT.

O deputado estadual e candidato à prefeitura, João Vítor Xavier (Cidadania), aparece em segundo lugar na pesquisa do Ibope, com 4% das intenções de voto e 6% na pesquisa Datafolha. Uma de suas principais propostas é o incentivo tributário para empresários, para, segundo ele, gerar empregos e renda. O candidato criticou as medidas adotadas por Kalil (PSD) durante a pandemia e alegou que se eleito, pretende dialogar mais com a população e com todo o tipo de eleitor.[6]

Bruno Engler (PRTB), deputado estadual e candidato da direita bolsonarista, aparece na pesquisa do Ibope com 3% das intenções de voto. Sua campanha eleitoral é baseada no alinhamento com Jair Bolsonaro[7] e o candidato garante que se eleito, fará um trabalho semelhante ao do presidente. Contrariando sua decisão de não participar das eleições de 2020, Jair Bolsonaro gravou um vídeo com o candidato, em que expressava seu contentamento com a candidatura de Bruno Engler (PRTB). [8]

Já o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) apoia o candidato de seu partido, Rodrigo Paiva (Novo) que, segundo a pesquisa Datafolha, possui 2% das intenções de voto. O candidato baseia sua campanha na promessa de diminuição de impostos e de burocracia para novos empreendimentos além da intenção de realizar uma reforma administrativa como a que foi feita por Romeu Zema (Novo) em Minas Gerais.

A esquerda, nesse cenário, é representada pela candidata Áurea Carolina (PSOL) que possui 3% das intenções de voto, segundo a pesquisa do Ibope e a pesquisa Datafolha. Seu plano de governo foi construído com participação popular e uma de suas principais propostas é uma renda solidária para todos os cidadãos de Belo Horizonte visando combater as desigualdades.

O candidato do PT e ex-ministro do governo Lula, Nilmário Miranda possui 2% das intenções de voto e 12% de rejeição, segundo a primeira pesquisa do Ibope. Já na pesquisa Datafolha, divulgada dia 8 de outubro, sua rejeição é de 24%. A vice, Luana Sousa (PT) é militante do movimento negro e representa a juventude.

De forma geral, no que tange as campanhas eleitorais, observa-se, entre os candidatos a prefeito de Belo Horizonte, uma preocupação com os setores afetados pela pandemia e com o desenvolvimento econômico da capital. O quadro eleitoral de 2020, na capital, tende para um favoritismo a reeleição de Kalil (PSD) que desponta em primeiro lugar nas pesquisas.        

O quadro eleitoral em Vitória

Na capital do Espírito Santo, o atual prefeito, Luciano Rezende (Cidadania) completa seu segundo mandato e não poderá se reeleger. No entanto, declarou apoio ao candidato de seu partido, Fabrício Gandini (Cidadania).

Nesse contexto, a pesquisa eleitoral Rede Vitória/ Futura, divulgada dia 7 de outubro, em cenários espontâneos, apresenta Gandini (Cidadania) na liderança com 8,3% das intenções de voto, seguido pelo candidato do PT, João Coser com 7% e em terceiro lugar, o delegado Pazolini (Republicanos) com 4,3%. Em quarto lugar, o Capitão Assumção com 2,2%, seguido por Neuzinha (PSDB) e Sérgio Sá (PSB), com 2% e 1,8%, respectivamente. Nesse cenário, 50% dos entrevistados ou não sabem ou estão indecisos sobre em quem votar. Já em cenários estimulados, João Coser (PT) lidera a disputa com 17,5%; Gandini (Cidadania) aparece em segundo lugar, com 14,2%, seguido pelo delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos), com 9%; 20,8% dos entrevistados não sabem ou estão indecisos. [9]

A pesquisa do Ibope divulgada dia 13 de outubro, apresenta um empate entre Gandini (Cidadania) e João Coser (PT), ambos com 22% das intenções de voto. O delegado Pazolini tem 10%; Neuzinha (PSDB), 7%; Capitão Assumção (Patriota), 6% e Sérgio Sá (PSB), 5%.[10]

Fabrício Gandini (Cidadania) e seu vice, o vereador Nathan Medeiros (PSL), contam com uma coligação de amplo perfil ideológico: PSL, PDT, Avante, PSC, Podemos e Cidadania. Em sua campanha, o candidato, promete gerar empregos através da diminuição de burocracias e de investimento em novas tecnologias. Apesar do empate apontado pelas pesquisas, o apoio do atual prefeito Luciano Rezende (Cidadania) e o fato de o candidato ser menos conhecido favorecem o potencial de crescimento de Fabrício Gandini (Cidadania).

Ainda no quadro da esquerda, o município conta com as candidaturas de João Coser (PT) e Sérgio Sá (PSB). João Coser (PT), eleito prefeito de Vitória em 2004 e reeleito em 2008, apesar de aparecer com vantagem nas pesquisas, possui o maior índice de rejeição entre os candidatos. A pesquisa Rede Vitória/ Futura aponta 25,5% e a pesquisa do Ibope 35%. Logo, ainda que comece bem, tem pouco espaço para crescer, o que favorece a candidatura de Gandini (Cidadania). João Coser (PT) e sua vice Jackeline Rocha (PT) apostam em um governo com mais políticas sociais e voltado para o povo, algumas de suas intenções são recuperar os pequenos e médios negócios afetados pela pandemia e investir em um turismo focado no desenvolvimento de Vitória.

Sérgio Sá (PSB) conta com o apoio do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). Embora seja atual vice-prefeito de Vitória, o candidato rompeu com Luciano Rezende (Cidadania) no ano passado. Atualmente, a coligação conta com as seguintes legendas: Rede, PP, PROS e PMB.

A direita bolsonarista, apresenta dois candidatos: o delegado Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o Capitão Assumção. Lorenzo Pazolini (Republicanos) aparece em terceiro lugar na pesquisa Rede Vitória/ Futura e na pesquisa do Ibope. Sua campanha foca na segurança pública, já que o candidato é delegado desde 2007 e foi titular da delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente. O deputado ficou conhecido quando após uma fala do presidente da república, invadiu hospitais na região metropolitana de Vitória para mostrar que os leitos estavam vazios.[11] Lorenzo Pazolini (Republicanos) conta com a aliança do Solidariedade, MDB, DEM e PTC.

O Capitão Assumção (Patriota) possui 5,5% das intenções de voto segundo a pesquisa da Rede Vitória e 6% segundo a pesquisa do Ibope. Uma de suas principais pautas também é a segurança pública e, para a educação, defende a criação de escolas cívico-militares. Durante a campanha, foi proibido de utilizar imagens em que aparecesse fardado, segundo a juíza Gisele Souza de Oliveira “o perigo de dano resta caracterizado exatamente pelo potencial de desequilíbrio do pleito eleitoral pelo abuso do poder de autoridade”. Como resposta, o Capitão Assumção substituiu a farda nas fotos por uma imagem em que ele está envolvido por faixas escritas “censurado”. [12]

É possível perceber que o quadro eleitoral em Vitória está bastante pulverizado. De acordo com as pesquisas, o candidato petista possui alto índice de rejeição enquanto Gandini tem um potencial maior de crescimento já que é pouco conhecido e conta com o apoio do atual prefeito. Quanto à direita bolsonarista, observa-se uma disputa entre os candidatos Lorenzo Pazolini (Republicanos) e Capitão Assumção (Patriota).  

          

                                                                  Conclusão

Considerando a atual conjuntura, o quadro eleitoral de 2020 é bastante atípico. É possível concluir que, em geral, tanto os candidatos da esquerda quanto da direita demonstram preocupação com os setores afetados pela pandemia e apresentam diferentes soluções para essa questão. Nesse cenário, o quadro eleitoral em Belo Horizonte tende para a reeleição de Alexandre Kalil (PSD) que lidera as pesquisas eleitorais e conta com um bom índice de aprovação. Em Vitória, dois candidatos da esquerda lideram as primeiras pesquisas e o governo do estado é ocupado por uma legenda da esquerda, o que favorece a eleição de um dos candidatos do campo progressista. No entanto, o sentimento antipetista dificulta as chances de crescimento de João Coser (PT), o que pode ser percebido pelo índice de rejeição do candidato. Assim, conclui-se que Vitória tende para um favoritismo a candidatura de Fabrício Gandini (Cidadania) que por ser pouco conhecido e ter o apoio do atual prefeito, possui um potencial de crescimento maior.  


[1] https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/eleicoes/2020/noticia/2020/10/02/pesquisa-ibope-em-belo-horizonte-kalil-58percent-joao-vitor-xavier-4percent-aurea-3percent-engler-3percent.ghtml

[2] https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/eleicoes/2020/noticia/2020/10/08/pesquisa-datafolha-em-belo-horizonte-kalil-56percent-joao-vitor-xavier-6percent-aurea-3percent-engler-3percent.ghtml

[3] https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2020/10/03/pesquisa-ibope-veja-avaliacao-de-kalil-zema-e-bolsonaro-em-belo-horizonte.ghtml

[4] https://psd.org.br/noticia/populacao-aprova-medidas-de-kalil-contra-o-coronavirus/

[5] https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/09/medidas-de-kalil-na-pandemia-viram-alvo-de-rivais-contra-reeleicao-de-prefeito-de-bh.shtml

[6] https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2020/10/06/sabatina-joao-vitor-xavier.htm

[7] https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2020/10/05/sabatina-bruno-engler.htm

[8] https://twitter.com/BrunoEnglerDM/status/1314376069613576197

[9] https://www.folhavitoria.com.br/politica/blogs/guia-eleicoes-2020/2020/10/07/pesquisa-rede-vitoria-futura-coser-lidera-e-tem-a-maior-rejeicao-em-vitoria/

[10] https://g1.globo.com/es/espirito-santo/eleicoes/2020/noticia/2020/10/13/pesquisa-ibope-em-vitoria-gandini-e-joao-coser-empatam-com-22percent.ghtml

[11] https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2020/06/deputados-entram-em-hospital-da-covid-19-em-vitoria-apos-fala-de-bolsonaro.shtml

[12] https://www.folhavitoria.com.br/politica/noticia/10/2020/justica-eleitoral-manda-apreender-material-de-campanha-de-capitao-assumcao

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