As eleições na Baixada Fluminense

POR LUCAZ PAZ DOS SANTOS, BEATRIZ DA SILVA, CARLOS EDUARDO BEDA GOMES,
CECILIA GAMEIRO, PEDRO MAGNO E LARISSA SILVA

Doze das treze eleições da Baixada Fluminense foram resolvidas já no primeiro turno. Quatro municípios poderiam ter o segundo turno: Nova Iguaçu, Duque de Caxias, Belford Roxo e São João de Meriti; apenas o último terá segundo turno. O que chama atenção não é apenas a quantidade de resolução já no primeiro dia de eleição como também o índice de votos de cada um deles; Rogério Lisboa (PP), prefeito reeleito em Nova Iguaçu, alcançou 62,10%, ao passo que Waguinho (MDB), chegou a marca de 80,40%; em municípios com população menor o resultado de Seropédica e Mesquita também chamam atenção: Professor Lucas fora eleito com 66,01%, ao passo que Jorge Miranda (PL) fora reeleito com 78,63%.

Assim, no total da manutenção do poder, foram seis reeleitos, um indicado pela situação e um favorito no segundo turno a se reeleger. Na mais extrema das hipóteses, oito dos treze municípios mantém aquilo que estava a ser seguido. Nesse sentido, é possível dizer que, na maioria dos casos, em especial em municípios de maiores populações, a pandemia “uniu” o povo e o gestor. Três dos quatro mais populosos municípios da Baixada Fluminense reelegeram seus prefeitos já no primeiro turno, ao passo que o favorito de São João ao segundo turno é o então prefeito Dr. João (DEM).

Neste pleito o PL sai com três prefeituras, o partido que mais conseguiu angariar cargos nos executivos na Baixada Fluminense; manteve, portanto, certa tradição. MDB ficou com duas prefeituras estratégicas, de grandes populações; Duque de Caxias e Belford Roxo. Apesar de ter diminuído de importância no quadro  nacional, bem como na Baixada Fluminense, o MDB ainda é o partido com maior capilaridade no Brasil com relação aos cargos de prefeitos e vereadores. Por fim, se nacionalmente DEM e PP saem com certo índice de crescimento, na Baixada Fluminense não é totalmente diferente. O Partido Progressista conseguiu duas prefeituras, na qual uma delas é a de Nova Iguaçu, segundo município mais populoso da Baixada. Os Democratas, apesar de não conseguirem nada ainda, estão a um passo de conseguirem em São João e, mesmo que não venham a conseguir, o sucesso do PP lhes são conveniente. Ambos os partidos são provenientes do ARENA, ambos os partidos tendem a ter filosofias políticas semelhantes, ambos os partidos têm, em boa parte de seus componentes, tendências bolsonaristas. São, portanto, ideologicamente, vistos como uma coisa só e assim serão tratados neste momento.

A maior vitória de DEM e de PP, por conseguinte, não se restringe a escala mesorregional da Baixada Fluminense, tampouco o cenário eleitoral nacional como um todo; os grandes favorecidos nessa escala. O campo mais importante aqui se dá pelo discurso; agora PP e DEM fazem parte do que é chamado de “centrão”. Coloca-se, desse modo, MDB, PSDB, PL, DEM, PP, Solidariedade, NOVO, entre outros, dentro de um mesmo enquadramento e procura-se reorganizar a política tendo em vista o eixo “centro”.

Os problemas que isso fornece são muitos; dois saltam aos olhos com maior proeminência. O primeiro é que reorganiza a esquerda e a centro-esquerda, dentro do discurso, como parte de um polo que não é existente; algo extremo. Ao invés de reproduzir o discurso da polarização assimétrica, reproduz-se o discurso de polarização entre extrema-direita e extrema-esquerda como parte de um jogo político hegemônico que é dado. A partir disso, já com relação ao segundo fator, as críticas com relação a certo comportamento de Bolsonaro podem fazer com que aproximações com certos partidos possam acontecer em caso de queda de popularidade.

Não seria surpreendente, dessa maneira, PP e DEM serem essa aproximação; em primeiro lugar porque o então presidente já pertenceu a ambos os partidos em diferentes momentos de sua carreira política; em segundo lugar porque, dentro desse dito “centrão” os intrusos não são verdadeiramente centro, são direita, e o polo mais extremo à direita com relação aos outros partidos. MDB é o partido ônibus, pega tudo, que pende mais para direita mas já esteve em relação a governos de centro-esquerda, e que consegue coabitar dentro de si políticos que já foram petistas e bolsonaristas, algumas vezes o mesmo político, e, ainda, em menos de cinco anos; é o caso de Waguinho, prefeito reeleito em Belford Roxo. O PSDB, outro dos cinco maiores partidos deste país, é parte do que se diz como direita tradicional, o que, na maioria dos casos, pode-se compreender também o MDB. DEM e PP são diferentes, têm em suas raízes o partido de situação da ditadura, lado oposto de MDB e políticos que migraram e criaram o PSDB.

É claro que tradições seguem a linha do tempo com pequenas mudanças que no longo prazo geram grandes transformações, e esse é o caso de todos os partidos citados e algumas figuras importantes desses, no entanto, é sempre importante manter-se atento às raízes de um partido; é sempre importante lembrar que Jair Bolsonaro passou a maior parte de sua carreira no PP, seja como PRP ou como PPB e, em certo momento, integrou o DEM, ainda como PFL. Há quem diga que Bolsonaro perdeu com as eleições,

há quem diga que Bolsonaro ganhou; há quem diga que tenha perdido e ganhado. Todavia, no que perdeu, e no que poderia ter perdido, a derrota foi pequena. A força que PP e DEM ganharam na eleição, em caso de uma futura conciliação, atenua ainda mais tal derrota.

Por fim, com relação a verdadeira oposição, a esquerda, a derrota fora bem maior. A Baixada Fluminense tem apenas em Japeri o cargo de executivo cujo partido é de esquerda, o PDT, de Fernanda Ontiveros.

Nilópolis

Em alguns dos municípios da Baixada Fluminense, como fora abordado ao longo dos meses pelo NUDEB, têm em família influentes um monopólio, ou pelo menos certa centralização do poder. Ao se levar esse fenômeno em consideração, os resultados de Nilópolis, o maior expoente desse fenômeno, não foram de modo algum surpreendentes. Nas eleições para prefeito feitas neste século, apenas em 2012 a família Abraão David perdeu o pleito. Além disso, sua histórica relação com a escola de samba Beija-Flor de Nilópolis e a presença importante de outros componentes de uma família vizinha, o caso de Simão e Sérgio Sessim, pai e filho respectivamente, fortificam ainda mais tal configuração eleitoral. Fortificam a ponto de o próprio prefeito recém-eleito, Abraão David Neto (PL), ter sido eleito vereador em todas as quatro tentativas anteriores, de 2004 a 2016.

É importante, no entanto, analisar um fato. Em todas as vezes que Farid Abrão tentou a prefeitura neste século, venceu com mais de 50% dos votos; em 2016, inclusive, com mais de 60% dos votos. O único membro da família que não conseguiu tal desempenho foi Sérgio Sessim, em 2008, com aproximadamente 42% dos votos, pouco menos que os 48% dos votos do prefeito eleito nesta eleição; em ambos os casos, se Nilópolis tivesse segundo turno, talvez a história fosse outra. Na eleição seguinte, Sérgio Sessim acabou por perder para Alessandro Calazans, com apenas dois pontos percentuais abaixo. Em municípios como Nilópolis, que não tem segundo turno, dois pontos percentuais pode acabar com uma eleição na qual nenhum dos dois está acima de cinquenta por cento mais um voto; exatamente como fora na eleição de 2012. Em 2008 Sérgio Sessim foi uma aposta

tal qual Abraão David Neto é agora; primeira tentativa para prefeito, primeira eleição. A eleição seguinte, caso haja persistência do candidato, pode ser uma oportunidade para a oposição.

Nova Iguaçu

Nova Iguaçu foi um dos casos, talvez o mais importante deles, no qual a atuação do prefeito frente a Covid-19 foi preponderante para a reeleição. No caso de Rogério Lisboa o diferencial está no fato de que, em quase todas as semanas, o então prefeito de Nova Iguaçu fazia vídeos informando a respeito do pormenores pandêmicos com relação ao município; o que remete, pelo menos em parte do eleitorado, a certa “dedicação” e relação de proximidade com o povo. Na mesma medida da dedicação está o fato de que, em seus vídeos nas suas redes sociais, procurava sempre divulgar seus feitos, sejam elas obras inéditas, reformas que antes estavam paradas ou mesmo hospitais inaugurados para o enfrentamento da Covid-19.

Nesse sentido, é possível afirmar que, pelo menos nas eleições deste ano, na Baixada Fluminense, os gestores que lidam ‘bem’ com a covid-19 tendem a ficarem mais fortes na eleição; isso acontece devido a certa unidade pela tragédia que se dá entre a população quando tem um problema comum e o gestor que toma a frente na resolução.

O ex-candidato Max Lemos (PSDB) deixa esta eleição com uma derrota que, em relação a Delegado Augusto (PSD) e Rosângela Gomes (Republicanos), é consideravelmente menor. Embora tenha obtido índice inferior do que está acostumado nos tempos de Prefeito de Queimados e com a vitória histórica de Lisboa com quantidade de votos quase

cinco vezes superior, fica a frente dos outros candidatos citados em uma possível nova tentativa no próximo pleito.

Dessa maneira, apesar do revés, como Rogério Lisboa não poderá tentar o próximo pleito, Max Lemos poderá ser importante candidato uma vez que seu nome será por certo mais conhecido e não apenas o ex-prefeito de um município vizinho. É claro que o candidato do então prefeito, supondo que Lisboa venha apoiar algum que não os que já são conhecidos, tem ampla vantagem eleitoral devido sua influência, no entanto, é importante pensar que qualquer influência por terceira pessoa é sempre  menor que em primeira, isto é, por si mesmo. Assim, um candidato nomeado pelo então prefeito dificilmente terá a mesma força política que a sua; além disso, o possível candidato não contará com uma série de fatores que fizeram de 2020 um ano atípico na política. Max Lemos, portanto, sai com aspectos positivos, apesar da histórica derrota, por ter feito seu nome conhecido em Nova Iguaçu, não apenas como um prefeito de um município vizinho, mas como um candidato que, em caso de nova tentativa, pode ser uma opção ao desconhecido candidato que o então prefeito possa indicar na próxima eleição.

Tal fenômeno não se pode dizer que tenha acontecido com Delegado Augusto e, principalmente, com Rosângela Gomes; a ex-candidata não apenas conseguiu bem menos votos que na última eleição como também, antes em terceiro lugar, ficou nesta eleição em quarto, justamente atrás do Delegado, que havia sido superado por Rosângela na última eleição. Delegado Augusto manteve o mesmo índice da eleição passada, ao passo que o de Rosângela caiu pela metade. Apesar disso, é possível afirmar que Delegado Augusto também saiu perdendo ao pensar uma projeção sobre uma próxima eleição com as configurações atuais, visto que ficou atrás de Max Lemos, novo no município, e não conseguiu apresentar nenhum crescimento de uma eleição para outra.

Mesquita

Mesquita segue o que a maioria dos municípios da Baixada Fluminense apresentou nesta eleição; o candidato de situação, seja em reeleição ou indicação, que tenha apresentado um desempenho minimamente correto com relação à Covid-19, acabou por ter êxito em sua campanha.

No ano de 2016, o prefeito reeleito Jorge Miranda (PSDB) havia conseguido 49,91%, ao passo que neste ano chegou ao número de 78,63%, agora pelo PL. Tão surpreendente quanto a porcentagem de votos válidos é o fato de que, apesar delas, nesta eleição, o prefeito teve mais opositores que na de 2016; foram quatro nesta, ao passo que na passada foram apenas dois. Assim, o prefeito eleito teve cerca de vinte e três mil votos a mais nesta eleição em comparação com a passada, apesar de ter mais opções que poderiam dividir o eleitorado.

Mesquita, é um dos municípios que exemplificam a queda do PT como força na Baixada Fluminense ao longo dos anos e, não apenas o partido, como toda a esquerda. O Partido dos Trabalhadores havia perdido a prefeitura do município em 2000 para o PDT; em 2004 e 2008, auge do Lulismo, conseguira a prefeitura em dois mandatos com Arthur Messias; em 2012 obteve o terceiro lugar, atrás de PDT e de PSC, esse último o partido do prefeito eleito no  ano correspondente. Se 2012 foi o ano que a esquerda perdeu o poder no município, 2016 foi o ano que ela passou a ter poucas chances, apenas 6,06% com o PT. Por fim, nesta eleição, PDT e PC do B somaram menos de 3% dos votos válidos; o PT não participou, o que é inédito neste século.

Duque de Caxias

  Esse ano Duque de Caxias tinha nove candidatos concorrendo a prefeitura, sendo eles: o atual prefeito Washington Reis (MDB), Jorge Moreira Theodoro, mais conhecido como Dica (PL), Marcelo Dino (PSL), Andreia Zito (PP), Ivanete Silva (PSOL), Aluizio Junior (PT), Gutemberg Cardoso (PV), Samuel Maia (Pc do B) e José Zumba (PSB).

  O resultado da votação no dia 15 de Novembro saiu logo em seguida, revelando que o atual prefeito obteve 52,55% dos votos (212.354), o que garante sua reeleição no cargo de prefeito do município. Em segundo lugar ficou o candidato Marcelo Dino (PSL) com cerca de 17,65% dos votos e em terceiro lugar foi Dica (PL) com 10,03% dos votos.  Duque de Caxias não terá segundo turno, mas ainda não se sabe se Washington Reis será realmente o novo prefeito, pois o registro da candidatura dele havia sido indeferida pelo TRE, a pedido do Ministério Público Eleitoral. O atual prefeito foi enquadrado na Lei da Ficha Limpa por conta de uma condenação de crime ambiental, mas como podia pedir recurso ele manteve sua candidatura.  Portanto, ainda não se sabe se ele poderá realmente ser o novo prefeito. Caso isso seja negado a ele, Duque de Caxias terá uma nova eleição com os dois mais bem votados depois de Washington Reis, que seria Marcelo do PSL e Dino do PL. O índice de abstenção foi de 23,63%.

  O resultado da eleição não só em Duque de Caxias, mas de muitos municípios da baixada nos mostra o quanto a presença de partidos de direita e conservadores é muito forte na região.

Magé

  Tendo seis candidatos disputando o cargo da prefeitura de Magé, sendo eles: Jane Reis (MDB), Carlos Henrique Rios Lemos, o Boneco (PMN), Renato Cozzolino (PP), Ricardo da Karol (PSC), Rogério do Valle (PL) e o Sargento Lopes (PSD), no dia 15 de Novembro, após a apuração de todos os votos, Renato Cozzolino obteve a maior quantidade de votos (27,13%) e ganhou a eleição, porém sua eleição depende de um recurso na Justiça Eleitoral.

O Tribunal Regional Eleitoral não aceitou a candidatura de Cozzolino, pois a Justiça compreendeu que ele está inelegível por ter sido condenado pelo TER no mês de maio de 2020 por abuso de poder político e conduta vedada no ano de 2018. Com isso, a população de Magé se encontra num impasse porque não sabe qual será o futuro e quem irá assumir o cargo.

Em segundo lugar ficou o candidato Ricardo da Karol do PSC, que teve 22,78% dos votos, já Rogério do Valle do PL teve 22, 32% dos votos e foi o terceiro colocado. A quantidade de abstenções chegou a 22,31%.

Guapimirim

  Guapimirim tinha cinco candidatos a prefeitura, sendo quatro mulheres e um homem. Os candidatos eram: Ismeralda (MDB), Lígia do Nelson do Posto (PSD), Marina (PMB), Professora Noemi (PTB) e Zelito Tringuelê (PDT) que é o atual prefeito, eleito em 2016 com 38,70% dos votos. Depois de 100% da apuração dos votos no dia 15 de Novembro, Marina do PMB ganhou a eleição com 48,71%, cerca de 14.827 votos. Em segundo lugar ficou o atual prefeito Zelito Tringuelê com 9.790 votos, o que equivale a 32,16%. Lígia do Nelson do Posto (PSD) que era uma grande aposta por causa da presença de seu avô, Nelson do Posto no passado como prefeito não obteve êxito e ficou em terceiro lugar, com 9,74% de votos.

Paracambi

  A disputa pela prefeitura de Paracambi no pleito de 2020 foi decidida no primeiro turno das eleições, com a reeleição da candidata Lucimar Cristina da Silva Ferreira, conhecida como Lucimar do Dr. Flávio (PL), que confirmou seu favoritismo e obteve 52,23% do total de votos válidos. Estes últimos, por sua vez, representam um total de 24.043 eleitores da cidade, que dividiram seus votos entre os mais variados candidatos.

  A tabela a seguir ilustra o percentual de votos obtidos por cada candidato que disputou o cargo de prefeito na cidade de Paracambi .

Candidato 2020PartidoPercentual (%)
Alessandro da AutoelétricaPTB1,32%
Dr. ErnandesCIDADANIA19,87%
EriveltonPT10,35%
Julio GonçalvesREPUBLICANOS8,22%
Lucimar do Dr. FlávioPL52,23%
Professor TarcisoPDT7,48%
SGT TibúrcioPATRIOTA0,53%

Conforme demonstrado na tabela anterior, depois da candidata eleita, aparecem, em ordem percentual de votos, Dr. Ernandes (CIDADANIA), Erivelton (PT), Julio Gonçalves (REPUBLICANOS), Professor Tarciso (PDT), Alessandro da Autoelétrica (PTB) e SGT Tibúrcio (PATRIOTA), todos com menos de 20% dos votos válidos.

  Diante de tais resultados, percebe-se que a esquerda da cidade, ilustrada na edição anterior do boletim, não obteve bons resultados eleitorais diante da direita, representada, sobretudo, pela candidata eleita Lucimar do Dr. Flávio (PL), que “surfou” na onda bolsonarista ainda presente na cenário eleitoral. Cabe ressaltar que os resultados da candidata refletem sua postura política e administrativa, uma vez que reforçam a sua boa aceitação por parte do eleitorado e a tradição do município em decidir seus pleitos em primeiro turno, apesar do alto índice de votos nulos, brancos e de abstenções durante o pleito.

  Ainda conforme destacado na edição anterior deste boletim, a forte chapa de  Lucimar do Dr. Flávio (PL) foi, também, um dos fatores determinantes para a sua reeleição. Em contrapartida, Erivelton Dias Costa (PT), candidato apoiado por André Ceciliano (PT), presidente da Alerj, e por Délio Leal, ex deputado estadual e ex prefeito de Paracambi, não obteve um bom percentual de votos, ficando em terceiro lugar com 10,35% do total de votos válidos.

São João de Meriti

  Em oposição ao cenário político demonstrado em Paracambi, os cidadãos da cidade de São João de Meriti elegerão seu prefeito em um segundo turno das eleições, que serão disputadas entre João Ferreira Neto, conhecido como Dr. João (DEM), e Leo Vieira (PSC).

  A tabela abaixo ilustra os percentuais de votos válidos obtidos por cada um dos candidatos no primeiro turno do pleito municipal. Vale lembrar que o total de votos válidos em São João de Meriti foi de 222.281 votos .

Candidatos 2020PartidoPercentual %
Charlles BatistaREPUBLICANOS12,62%
Dr. JoãoDEM32,27%
Giovani RatinhoPROS12,27%
Leo VieiraPSC19,57%
Paulinho do SindicatoPT2,33%
Professor JozielPSL14,17%
TitinhoPODE3,29%
Vinicius BaiãoPSOL3,48%

Conforme demonstrado pelos resultados apresentados, percebe-se que apesar de possuir uma sólida coligação e um favoritismo eleitoral alto, o atual prefeito de São João de Meriti não conseguiu reeleger-se no primeiro turno, conforme a expectativa eleitoral citada na versão anterior deste boletim . Seu adversário, filiado ao PSC, é um dos prefeitáveis que pegou carona eleitoral na onda bolsonarista, conseguindo a façanha de disputar o segundo turno das eleições, mesmo sem grandes apoios, desbancando o principal adversário político de Dr. João (DEM), o também candidato bolsonarista e armamentista  Charlles Batista (REPUBLICANOS), que amargou o quarto lugar no pleito realizado e obteve  12,62% dos votos válidos.

 Assim como em Paracambi e em boa parte das demais cidades da baixada fluminense, os candidatos da esquerda não obtiveram bons resultados, figurando entre os últimos candidatos. A não reeleição do atual prefeito em primeiro turno deve-se, em parte, à alta fragmentação política entre os partidos e candidatos na cidade, além do alto índice de eleitores que votaram em branco, nulo ou se abstiveram, revelando sua insatisfação com o cenário político local.

São João de Meriti

O resultado do segundo turno das eleições no município de São João de Meriti confirmou a expectativa da maioria da população e que figurou no primeiro turno.  O candidato Dr. João (PL) saiu vitorioso com 56,83% dos votos válidos contra 43,17% de seu adversário, Leo Vieira (PSC)[1].

A baixa popularidade do candidato do PSC, aliada à forte coligação do candidato reeleito no município contribuíram para tal resultado eleitoral, no qual houve um farto aproveitamento da “ondas” bolsonarista presente em todo o país. O resultado observado corrobora a análise anteriormente realizada, que apontava o favoritismo de  Dr. João (PL) na disputa pela prefeitura de São João de Meriti.

Cabe ressaltar que, assim como observado no primeiro turno, o número de votos brancos, nulos e abstenções na cidade, quando somados, ultrapassam o percentual de 45%, representando um valor bastante expressivo e atípico, se comparado com os valores de pleitos anteriores.

Queimados

O processo eleitoral do executivo no município de Queimados foi concluído no 1º turno sem uma margem percentual acentuada entre os três candidatos mais votados. Glauco Kaizer (SOLIDARIEDADE) foi eleito com 28,83% dos votos – correspondente a 19.010 votos – seguido de Zaqueu e Professor Lenine Lemos – com 25,61% e 23,76% dos votos, respectivamente.  

Contrariando a expectativa criada em torno da candidatura de Lenine Lemos, a formação de alianças com vários políticos, inclusive com o atual prefeito de Queimados não foi o suficiente para eleger o candidato.

Japeri

No dia 15 de novembro o município de Japeri elegeu no 1ºturno a candidata do PDT Dra. Fernanda Ontiveros como prefeita. Recebendo 38,31% dos votos derrotou o até então líder nas pesquisas de intenção de voto Helder do PSC, que recebeu 34,40% dos votos.  

Nas últimas semanas da corrida eleitoral Fernanda fortaleceu sua campanha com a ideia de renovação política em Japeri; o candidato Helder está terminando esse ano o segundo mandato como vereador da cidade, não representando assim, uma figura política nova. Além disso, a prefeita eleita também focou seu discurso na sua profissão de médica e ressaltou a importância de melhorias serem trazidas na área da saúde pública que, no município, é motivo de grandes denúncias de precariedade por parte dos moradores – situação que se encontra agravada desde o início do cenário pandêmico.  

Seropédica

 No ano de 2020, o município de Seropédica teve cinco candidatos concorrendo ao cargo de prefeito:Adonis Teixeira do Democracia Cristã, o atual prefeito Anabal do PDT, Dra. Glória do MDB, Luciano da Rede Construir do PL e o Professor Lucas do PSC.

Seropédica não teve segundo turno, portanto o resultado de quem seria o novo prefeito saiu no final do dia 15 de Novembro assim que se encerraram as votações. O Professor Lucas foi quem teve maior número de votos e ganhou a eleição com cerca de 66,01%. Em segundo lugar ficou o atual prefeito com 27,37% dos votos, e em terceiro lugar ficou Luciano da Rede Construir que teve 3,12% dos votos. O número de abstenções foi de 22,33%, e nulo e branco foi de 6,93%.  

Segundo uma reportagem no O DIA, Professor Lucas está sendo investigado pela  Delegacia de Repressão ás Ações Criminosas por causa de uma suspeita de que sua candidatura possa estar vinculado a milícia que atua em Seropédica. Ele e sua vice chegaram a ser intimados a depor, porém não compareceram. A reportagem conta que a partir de alguns relatos de moradores, foi revelado que os cabos eleitorais do vereador eleito atuavam de forma violenta com aqueles que mostravam apoiar outros candidatos.

  Belford Roxo

O prefeito Waguinho (MDB) foi reeleito com 80,40% dos votos e contou com apoio da família Bolsonaro e da ala evangélica.

Confirmando o favoritismo eleitoral analisado na conjuntura do boletim anterior, o atual prefeito de  Belford Roxo, Waguinho (MDB) foi reeleito com um percentual expressivo de 80,40% dos votos válidos, figurando em um patamar bem à frente de seus adversários políticos na cidade.

CandidatoPercentual (%)
Assis Freitas1,00%
Cristiano Santos12,63%
Junior Cruz4,10%
Neuzinha Jornaleira1,87%
Waguinho80,40%

Logo após o candidato reeleito da cidade, figuram, com um percentual de votos bem abaixo do primeiro colocado, Cristiano Santos (PL) com 12,63%, Junior Cruz (PSD) com 4,10%, Neuzinha Jornaleira (PSOL) com 1,87% e Assis Freitas (PC do B) com 1,00% dos votos.

Tal tendência notada no município confirma o amplo apoio da população ao candidato Waguinho, que mesmo afastado do cargo em abril de 2019 devido à uma investigação de desvios de recursos públicos e reempossado por decisão do TRE no mesmo ano continuou com alto favoritismo. Cabe dizer que o candidato também aproveitou-se do fenômeno bolsonarista para angariar votos em sua candidatura, uma vez que o perfil do eleitorado de Belford Roxo demonstra ser bastante conservador.

O número de abstenções, votos brancos e nulos na cidade também figurou em altos patamares, contando com um percentual maior que 30%.

Itaguaí

Doutor Rubão do Podemos venceu a prefeitura com apenas 17% dos votos.


[1]https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/eleicoes/2020/resultado-das-apuracoes/sao-joao-de-meriti.ghtml

[2]

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