Candidaturas coletivas trazem resultados significativos nas eleições municipais por todo país

POR CAROLINA TOSTES

O seguinte texto tem intenção de expor e analisar o resultado das candidaturas coletivas por todo o Brasil. Como explicado no primeiro texto dessa sequência[1], candidaturas coletivas são aquelas em que várias pessoas se unem em uma única chapa e se comprometem a dividir salários e responsabilidades caso eleitas. Na urna, a foto do candidato que cedeu o CPF foi a que apareceu, mas várias conseguiram que seus nomes enquanto chapas fossem colocados. 

 Segundo levantamento da FGV, esse tipo de candidatura passou de 13 em 2016 para 257 nesse ano[2]. PSOL foi o partido que apostou mais no modelo, seguido do PT, PCdoB e PDT. PSB, Rede, PV, DEM também lançaram pelo menos 6 nesse modelo. São Paulo é o estado com maior número, seguido de Pernambuco, Rio de Janeiro e Roraima. Pará, Minas, Goiás e Bahia também tiveram mais que 10 cada.

 Várias coletivas foram eleitas pelo país, e mesmo a votação das que não foram demonstrou grande expressividade, tendo em vista que essa é uma proposta que era até então desconhecida pela maioria das pessoas. A promessa de maior transparência e horizontalidade para a tomada de decisões, além da representatividade das chapas formadas majoritariamente por pessoas envolvidas com lutas sociais demonstrou bons resultados e conquistou eleitores por todo o país. 

RESPOSTA NAS URNAS

O PSOL elegeu 5 chapas coletivas pelo Brasil. A ‘’Nossa Cara’’, campanha que foi perseguida no mês passado com uma tentativa de impugnação, foi eleita em Fortaleza com quase 10 mil votos. Também saíram vitoriosas a Coletiva Bem Viver, com 1.660 votos em Florianópolis[3] e Pretas em Salvador com 3.635 votos, ambas formadas apenas por mulheres e ocupando a Câmara das cidades pela primeira vez com esse modelo. 

Em SP, o partido conquistou duas vagas.[4] A Bancada Feminista fez mais de 46 mil votos e o Quilombo Periférico 22.472. Ambos trazem em suas chapas membros da comunidade LGBTQIA+, pessoas negras e militantes de causas sociais.

No Rio, apesar de nenhuma eleita, as coletivas tiveram boas votações e se espalharam por diferentes partidos. Coletiva Bem Viver (PSOL) 3.517; Coletivas (REDE) 3.409; Bancada do Livro (Cidadania) 3.306; A Liga (PSB) 2.985; Campanha DELAS (PCdoB) 1.885; DiverCidade (PT) 895. 

O PT elegeu em Garanhuns, município no interior de Pernambuco, a coletiva Fany das Manas com mais de 900 votos. Além disso em Belo Horizonte, Sônia da Coletiva levou a novidade para a Câmara da capital mineira com 4.793 votos.

As duas candidaturas do PCB, Bancada da Juventude Trabalhadora e Bancada do Poder Poder receberam 1654 e 970 votos respectivamente.

O  PCdoB lançou 3 bancadas na capital paulista e apesar de não eleitas, todas tiveram votações expressivas. A Bancada Feminista recebeu 7.272 votos, Bancada Trabalhista 5.021 e Bancada Social 1.022. O partido não teve nenhum eleito na capital. 

DESAFIOS PELA FRENTE E ESPERANÇA DE RENOVAÇÃO

Como já dito em textos anteriores, as candidaturas coletivas não possuem regulamentação pela lei, ou seja, contam com um acordo informal entre as pessoas envolvidas. O número de eleitas abre espaço para essa disputa de legalização e respaldo jurídico para elas e as próximas que virão. 

A política institucional tem caminhado por outros rumos de representação, com cada vez mais componentes de minorias sociais concorrendo e disputando cargos importantes. Chapas no formato coletivo e compartilhado conseguem propor uma forma diferente de se ver a figura do parlamentar, sem personalismo ou hierarquias. Várias pessoas juntas em um único mandato abre espaço para mais frentes de atuação e formulação política, além de deixar o processo mais democrático e com maior participação popular.

A vitória de tantas chapas pelo país, e também o número expressivo de votos nesses projetos, traz esperança sobre a tentativa de reencantamento dos brasileiros para a política, não se limitando ao processo eleitoral e sim em construções cotidianas mais coletivas e plurais.                                                    


[1] “Candidaturas Coletivas: uma nova forma de fazer política….”https://nudebufrj.com/2020/09/22/candidaturas-coletivas-uma-nova-forma-de-fazer-politica-no-brasil/

[2] “Candidaturas coletivas e compartilhadas se … – G1 – Globo.” https://g1.globo.com/politica/eleicoes/2020/eleicao-em-numeros/noticia/2020/11/12/candidaturas-coletivas-e-compartilhadas-se-multiplicam-nas-eleicoes-de-2020-mostra-levantamento-da-fgv.ghtml

[3] “Cinco mulheres formam o primeiro mandato coletivo de ….” https://ndmais.com.br/politica-sc/eleicoes-municipais/cinco-mulheres-formam-o-primeiro-mandato-coletivo-de-florianopolis/

[4] “Pela 1ª vez, Câmara de São Paulo terá mandatos … – G1 – Globo.” https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/eleicoes/2020/noticia/2020/11/16/pela-1a-vez-camara-de-sao-paulo-tera-mandatos-coletivos.ghtml

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