Segundo turno em Campos dos Goytacazes; Direita vence em Macaé e Rio das Ostras

POR GUSTAVO DIAS 

O artigo busca analisar o resultado eleitoral de Campos dos Goytacazes, Macaé e Rio das Ostras para as eleições municipais de 2020, ocorrida em 15 de Novembro. As cidades são importantes no Estado do Rio de Janeiro uma vez que estão estruturadas na cadeia produtiva do petróleo fluminense.  

Assim, este artigo será estruturado da seguinte forma: primeiro, busca confirmar se os primeiros colocados estão de acordo com as pesquisas traçadas nos meses anteriores. Em seguida, compreender os motivos que podem ter levado a vitória do candidato. Depois, será feita uma análise apontando qual espectro político saiu vencedor, e, por fim, entender se a hipótese formulada no boletim de setembro mostrou-se confirmada. As fontes pesquisadas para a produção do artigo foram: G1, TSE, Gazeta do Povo e Redes sociais dos candidatos (Facebook e Twitter)

 Campos dos Goytacazes

A cidade de Campos terá um segundo turno no dia 29 de Novembro. A disputa ocorrerá entre Wladimir Garotinho (PSD) e Caio Vianna (PDT). 

Fonte: Gazeta do Povo

   É cabível afirmar que o resultado não surpreendeu, em virtude das projeções dos meses anteriores apontarem os dois candidatos nas primeiras colocações.  No entanto, na reta final o candidato Dr. Bruno Calil (Solidariedade) conseguiu um crescimento expressivo, porém insuficiente para alcançar o segundo turno. 

Os dois candidatos que chegam ao segundo turno são filhos de ex-prefeitos da cidade, e isso pode ter sido um ponto importante para o resultado. Ao longo da história do país há diversos exemplos de famílias que exercem influência em uma determinada cidade, e isso traz reverberações em uma disputa eleitoral.  Nesse sentido, é possível apontar que há um candidato da direita (Wladimir Garotinho, PSD), que conta com uma grande coligação (PRTB/PP/MDB/PROS/PODEMOS/PSC) e um que pertence a um partido de centro-esquerda (Caio Vianna, PDT), que no entanto está coligado com partidos de direita (PL/PSL/DC/PATRIOTA)

Pelo campo da esquerda, vale ressaltar o desempenho superior do PSOL (Professora Natália) em relação ao PT (Odisseia). 

Os candidatos da direita bolsonarista (Tadeu Tô contigo – Republicanos e Jonathan Paes – MDB), não conseguiram ter um bom desempenho, ficando com 2% e 0,5%, respectivamente.

                                          Macaé

O sucessor de Dr. Aluízio (PSDB) na cidade será Welberth Rezende (Cidadania), que tinha o apoio do atual prefeito. 

Fonte: Gazeta do Povo

As projeções feitas por jornalistas locais e que foram destacadas por este boletim mostraram-se corretas. Os quatro candidatos (Welberth Rezende- Cidadania, Silvinho Lopes – DEM, Igor – PT e Robson Oliveira – PDT) apontados como favoritos de fato se estabeleceram no resultado da eleição.

Desde o início foi destacado neste boletim a força da candidatura de Welberth Rezende (Cidadania), que conta com uma grande coligação (REDE/PODEMOS/PROS/PV/PSDB/PCdoB). Desta forma, sai o PSDB, de Dr. Aluízio, mas a cidade permanecerá dentro do espectro político de uma direita liberal, através de Welberth Rezende (Cidadania).

O candidato Robson Oliveira (PTB) é vereador da cidade e radialista local. Isso pode ter sido um fator preponderante para o bom desempenho no pleito. O candidato também se utilizou do discurso de ser contra a ‘velha política’[1], algo que foi muito utilizado nas eleições gerais de 2018. 

Silvinho Lopes (DEM), assim como ocorreu na cidade de Campos, também é filho de um ex-prefeito local, o que pode ter contribuído pelo alto número de votos. Cabe destacar também a participação de Riverton Mussi (PDT), que enfrenta pendências judiciais, porém ficou próximo de conquistar a prefeitura novamente. 

O lado da esquerda predominou com o candidato Igor (PT), enquanto a direita bolsonarista com os candidatos André Longobardi (Republicanos) e Ricardo Bichão (PRTB) tiveram um baixo desempenho.

                                                                        Rio das Ostras

                A cidade de Rio das Ostras continuará com o mesmo prefeito até 2024.  Marcelino da Farmácia (PV) foi reeleito com uma margem expressiva de votos.

Fonte: Gazeta do Povo

 Ao longo dos últimos dois meses, destacamos a força da candidatura de Marcelino da Farmácia (PV), compondo sua coligação com partidos de direita (PATRIOTA/Republicanos/PTB/DC). As passeatas e comícios realizados contaram com um número grande de eleitores, e isso se refletiu no resultado do pleito eleitoral. Na segunda colocação, Fábio Simões (PL) é um político que tinha disputado a eleição suplementar de 2018, atingindo também a segunda colocação na ocasião. Seu resultado de 2020 não pode ser desprezado, demonstrando que é uma força política importante em Rio das Ostras.  A direita bolsonarista, com dois candidatos, emergiu com Leandro Almeida (PSL), na terceira colocação, enquanto Coronel Pessanha (PMB) teve um baixo desempenho com apenas 0,54% dos votos. 

A esquerda, por sua vez, repetiu o fenômeno do Partido dos Trabalhadores (PT) ter ficado com menos votos que o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Tal fato não é irrelevante, pois evidencia uma mudança de força majoritária no campo da esquerda em cidades do interior.

Nesse sentido, pode-se apontar que Rio das Ostras, apesar de ser comandado por um partido que está no centro do espectro político (PV), a coligação traz a força da direita, trazendo assim a cidade para esse campo político.

Conclusão

A hipótese testada acabou se confirmando apenas em parte. O campo da direita saiu-se vencedor, no entanto, a direita bolsonarista não conseguiu ser uma força que trouxesse polarização à disputa. Os candidatos desse campo não conseguiram bons resultados, a exceção de Leandro Almeida (PSL), em Rio das Ostras. Tal fato é relevante pois mostra que o bolsonarismo não prosperou nas três cidades pesquisadas, o que condiz com os resultados das capitais em âmbito nacional. Ademais, cabe ressaltar o poder de filhos de ex-prefeitos, demonstrando que esse aspecto continua importante nos resultados eleitorais. Isso ficou evidenciado nos casos de Campos (Caio Vianna – PDT, Wladimir Garotinho – PSD) e Macaé (Silvinho Lopes – DEM)

Pelo lado da esquerda, a força predominante foi o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), ultrapassando o Partido dos Trabalhadores (PT) em Campos e Rio das Ostras. Na cidade de Macaé, não houve candidatos do PSOL, e assim o PT foi a força majoritária. Tal fato pode ser um indício de uma mudança nesse espectro político, porém as eleições de 2022 podem trazer mais visibilidade a essa questão. 

Esta eleição de 2020 trouxe novos elementos, como o impacto do bolsonarismo como uma nova força política na disputa eleitoral e um tema de abrangência nacional, a COVID-19. A partir das vitórias estabelecidas nas cidades do interior e nas capitais, será possível realizar possíveis cenários para as eleições de 2022.


[1] https://www.facebook.com/robsonoliveiravozdopovo/videos/696705641228960

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